Trump cria dilema para Itamaraty
Governo Lula deseja ter mais protagonismo nas questões geopolíticas do mundo. Contudo, Conselho de Paz deixa a ONU de lado
O presidente americano Donald Trump convidou o governo Lula (foto) para participar do Conselho de Paz de Gaza.
O Conselho não ficará encarregado de definir as políticas para o território palestino, que ficarão a cargo do Comitê Nacional do Governo de Gaza (NCAG, na sigla em inglês).
O tal Conselho de Paz terá uma tarefa mais ampla.
"O Conselho de Paz desempenhará um papel essencial no cumprimento de todos os 20 pontos do plano do presidente, fornecendo supervisão estratégica, mobilizando recursos internacionais e garantindo a responsabilização à medida que Gaza transita do conflito para a paz e o desenvolvimento", diz o comunicado da Casa Branca.
O convite coloca o governo Lula e o Itamaraty em um dilema.
O Brasil voltou
Aceitar participar do Conselho de Paz poderia atender ao anseio do governo Lula de ganhar protagonismo em questões geopolíticas importantes para o resto do mundo.
Lula começou seu terceiro mandato com o slogan "o Brasil voltou".
O petista tentou se meter na guerra entre Israel e o grupo terrorista Hamas, mas acabou se dando muito mal.
Não conseguiu interferir em nada e Lula ainda acabou virando persona non grata em Israel.
Como o presidente argentino Javier Milei já topou integrar o Conselho de Paz, o Brasil poderia se sentir pressionado para também participar, para não perder influência na América Latina para um vizinho menor.
Agradar Trump também é algo crucial para o governo Lula, que quer evitar novos tarifaços e teme uma interferência de Trump nas eleições presidenciais brasileiras deste ano.
Sem palestinos
Por outro lado, caso o Brasil aceite o Conselho de Paz, entraria em contradição com as falas de Lula defendendo o multilateralismo.
O Conselho de Paz é mais uma medida de Trump que despreza o papel da ONU.
Na prática, é como se Trump estivesse criando uma ONU paralela.
E Lula poderia incomodar sua base de eleitores ao ingressar em uma iniciativa americana, que ainda conta com apoio israelense.
O petista, assim, poderia ser visto adotando o lado errado.
Uma das críticas ao Conselho de Paz de Trump é que não terá nenhum palestino.
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