Um ano de rei Trump
Nestes doze meses, Trump fez o que bem quis no resto do mundo. Mas em breve encontrará um limite interno às suas ambições globais
O presidente americano Donald Trump (foto) completará o primeiro ano de seu segundo mandato nesta terça, 20.
No plano externo, o republicano acelerou algumas tendências já observadas em seu primeiro mandato, entrando em conflito com os europeus e buscando aumentar a influência na América Latina.
Mas Trump não cumpriu com suas principais promessas econômicas aos americanos, o que poderá limitar seu poder no futuro.
Hostilidade aos europeus
Trump sempre pressionou para que os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) aumentassem suas despesas militares e cuidassem da própria segurança, sem depender dos Estados Unidos.
Neste segundo mandato, Trump ficou ainda mais hostil e agora ameaça abertamente anexar a Groenlândia, que pertence à Dinamarca.
Se os europeus não consentirem com essa anexação, Trump fala em aumentar tarifas de países europeus. A aliança transatlântica, entre americanos e europeus, está em seu momento mais crítico.
Trump ainda retirou apoio à Ucrânia, invadida pela Rússia, o que pode encorajar o ditador russo Vladimir Putin a tomar outros países europeus.
Putin livre
Trump cortejou Putin e o convidou para uma reunião no Alasca.
Putin agradeceu pelos gestos e manteve um canal aberto com a Casa Branca, mas sem qualquer concessão em relação à invasão da Ucrânia.
Trump, em vez de reprimi-lo, tem buscado ficar ainda mais próximo de Putin.
O americano já falou em convidar Putin para a Copa do Mundo deste ano e chamou o russo para participar de um Conselho de Paz que irá supervisionar a reconstrução da Faixa de Gaza.
Apoio a Israel
Trump deu total apoio ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em sua guerra contra o grupo terrorista Hamas.
Depois, conseguiu acabar com a guerra costurando um acordo de paz com Turquia, Catar e outros países da região. Ponto para ele nesse tema.
Nosso hemisfério
O presidente reativou a Doutrina Monroe, de 1823, que reforça a influência americana na América Latina, enquanto promete não interferir nos assuntos dos europeus.
O presidente argentino Javier Milei e o paraguaio Santiago Peña anunciaram acordos com os americanos.
Lula também se beneficiou dessa postura americana, ao anular o tarifaço e a Lei Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Limites internos
Trump colocou a polícia de fronteira no encalço dos imigrantes ilegais, algo que é popular entre 42% da população americana (58% são contra).
Mas não cumpriu suas principais promessas na área da economia, área em que é desaprovado por 61%.
Com isso, sua aprovação geral, que era de 50% no início do mandato, já caiu entre 10 e 12 pontos.
Pesquisa da CBS News/YouGov divulgada no domingo, 18, mostra que 74% dos americanos não acham que Trump tem se focado em baixar os preços, 76% acreditam que a própria renda não tem acompanhado a inflação e 53% acham que Trump está demasiado focado no resto do mundo.
A conta para Trump deve vir nas eleições legislativas deste ano, em que os democratas tentarão retomar o controle da Câmara e do Senado.
E vale lembrar que candidatos democratas, como o prefeito de Nova York Zohran Mandami, têm tido bom desempenho nas eleições regionais.
Neste primeiro ano, Trump fez o que bem quis no resto do mundo.
Mas em breve deverá encontrar um limite interno às suas ambições globais.
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Comentários (1)
ISABELLE ALÉSSIO
2026-01-19 11:55:17Gostei, Duda! 🏆👏🏻🤗