O périplo de María Corina nos EUA
Líder da oposição venezuelana entrega medalha do Nobel a Trump, enquanto Delcy Rodríguez recebe elogios do republicano
A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, reuniu-se nesta quinta-feira, 15, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca.
O encontro ocorreu menos de uma semana após a captura do ditador Nicolás Maduro.
Apesar de Trump dizer que María Corina é uma boa mulher”, mas “não tem o apoio nem o respeito dentro” da Venezuela, ela segue em busca do apoio completo do republicano na futura transição política.
Ao mesmo tempo, o chefe da Casa Branca tem elogiado a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, a quem chamou de "pessoa fantástica".
“Tivemos uma ótima conversa hoje, e ela é uma pessoa fantástica. Quer dizer, é alguém com quem trabalhamos muito bem. Marco Rubio está lidando com ela. Acho que estamos nos dando muito bem com a Venezuela”, disse Trump no Salão Oval na Casa Branca na quarta.
Delcy Rodríguez é considerada uma das principais arquitetas da tortura e negociadora do chavismo.
Medalha do Prêmio Nobel da Paz
Nos braços dos venezuelanos ao deixar Casa Branca, Corina disse ter entregue a Trump sua medalha do Prêmio Nobel da Paz.
O ato, segundo ela, seria um reconhecimento simbólico ao apoio que os Estados Unidos têm dado à causa democrática em seu país.
“O povo de Bolívar entrega agora a medalha do Prêmio Nobel da Paz ao herdeiro de Washington em reconhecimento ao seu compromisso com a nossa liberdade ”, afirmou.
“Eu estava dizendo ao Presidente Trump que, há 200 anos, o General Lafayette presenteou Simón Bolívar com uma medalha com a imagem de George Washington, e desde então, Simón Bolívar nunca a devolveu. 200 anos depois, os herdeiros, o povo de Bolívar, estão presenteando o Presidente dos Estados Unidos com uma medalha em retribuição."
O interesse de Trump sempre foi o Nobel da Paz, que María Corina Machado até cogitou compartilhar com ele.
A ideia, contudo, foi rejeitada pelo comitê norueguês responsável por laureá-la.
"Forte aliado"
Em entrevista, María Corina afirmou que Trump sabe "perfeitamente o potencial do país" como aliado dos EUA.
Segundo Corina, o republicano está preocupado com o povo venezuelano.
"Ele está profundamente preocupado com a segurança do povo venezuelano — com as crianças que não estão indo à escola porque os professores ganham pouco mais de um dólar por dia. O presidente realmente entende essa realidade", disse ela.
Reunião com senadores
Após o encontro com Trump, María Corina se reuniu com um senadores democratas e republicanos no Capitólio.
Ela afirmou que seu objetivo é transformar a América Latina em um “escudo de segurança”.
“Do que hoje é um centro de criminalidade das Américas, vamos transformá-lo em um escudo de segurança para todo o hemisfério ”, afirmou durante a reunião.
“Garanto-lhes que, assim que a Venezuela estiver livre, veremos milhões e milhões de venezuelanos retornando por vontade própria. Saibam que será uma situação difícil, pois a economia está destruída, em ruínas, mas há esperança para o futuro. E conseguiremos isso graças a vocês", disse ele.
Gerenciamento do regime
No momento, para Trump, a atual presidente interina atende parte de seus interesses.
Delcy Rodríguez concordou em entregar entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo bruto aos americanos.
Ela também se comprometeu em libertar os 811 presos do regime, o que foi elogiado por Karoline Leavitt, porta-voz da Casa Branca.
Segundo a ONG Foro Penal, foram soltos apenas 200.
Ter Delcy no controle, uma tecnocrata do regime, também evita um conflito interno da Venezuela.
Enquanto isso, a oposição venezuelana no exílio segue em busca de uma complexa transição para a democracia.
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