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Edição Semana 401

Um país cansado, incerto e malgovernado

Precisamos escolher um presidente com vontade política para corrigir os rumos de um Estado caro, lento e desconectado da vida real dos brasileiros

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Letícia Barros
5 minutos de leitura 02.01.2026 03:30 comentários 4
Um país cansado, incerto e malgovernado
Eleições em 2024. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
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Às vésperas de 2026, o Brasil é um país incerto em três diferentes eixos: político, econômico e institucional.

No bloco político, Lula aparece à frente em todas as projeções, num cenário em que a oposição ainda não consolidou sua alternativa para a disputa nacional.

Já no bloco econômico, a realidade do país é marcada por uma economia que oscila entre déficit, juros altos e tributação crescente.

No bloco institucional, temos uma Suprema Corte cuja atuação se afasta cada vez mais do critério técnico e se projeta com força sobre a arena política.

Antes de projetar o tabuleiro político brasileiro para 2026, é impossível desconsiderar a polarização que inunda o país.

Não me reservarei à oportunidade de julgar se ela é boa ou ruim, mas apenas de reconhecê-la, tendo em vista que, em todas as áreas da vida humana, há dualidade: bom ou mal, certo ou errado, justo ou injusto, dentro outros.

Naturalmente, na política não é diferente. No Brasil, enxergamos o espectro político pela polaridade entre direita e esquerda.

Esquerda

À esquerda, Lula já se consolida para a corrida presidencial de 2026. Ao mesmo tempo em que aparece à frente de todos os possíveis nomes da direita, enfrenta uma rejeição de mais de 40%.

Era de se esperar, já que muitas de suas medidas ao longo dos três últimos anos de mandato tomaram rumos totalmente contrários à vontade de seu eleitorado – mudanças que pesaram no bolso e afastaram parte da base que esperava melhora imediata.

A sensação de que a vida não melhorou como se esperava é o maior motor de rejeição em qualquer governo.

Todavia, Lula segue sendo um dos maiores políticos da América Latina, e sua capacidade de inflar ainda mais as promessas populistas para o ano que vem frente à tamanha rejeição não deve ser subestimada.

Direita

À direita, temos algumas peças cotadas para entrar na corrida presidencial: Romeu Zema, Tarcísio de Freitas, Ronaldo Caiado, Ratinho Jr. e, recentemente colocado na roda, Flávio Bolsonaro.

Dentre todos, é de se esperar que Tarcísio de Freitas — apesar de ser o nome mais desejado para representar a direita — não demonstre vontade real de disputar a Presidência, inclinando-se à reeleição em São Paulo.

Já Flávio Bolsonaro deixou claro que sua manifestação como presidenciável não passou de um balão de ensaio: enviar o recado sobre a anistia do pai e garantir a hegemonia bolsonarista no espectro da direita.

Diante desse cenário, 2026 tende a ser menos uma disputa entre projetos e mais um teste de fôlego político.

Lula chega viável, mas rejeitado. Sua campanha determinará o seu próprio rumo. A direita chega com bons nomes, porém fragmentada.

Se a oposição insistir em múltiplas candidaturas, o presidente larga com vantagem estrutural — não só por força, mas também por ser a única alternativa da esquerda.

Já o Brasil entra em mais um ciclo eleitoral em que vencerá quem conseguir parecer o porto mais seguro em meio ao cansaço generalizado do país.

No campo econômico, o país chega a 2026 com um PIB que avançou cerca de 3% entre 2023 e 2024, mas que cria uma sensação ilusória de que a economia vai bem.

Afinal, o PIB nada mais é do que a soma de todos os bens e serviços finais produzidos no país em determinado período — e não se pode esquecer que os gastos do governo também entram nessa conta.

O governo Lula 3 tem sido marcado por déficits sucessivos, mesmo após diversos aumentos de impostos.

Pode-se dizer que o avanço do PIB foi impulsionado principalmente pelo maior setor da economia brasileira, o agronegócio, e pelo aumento do gasto público.

É difícil celebrar esse resultado enquanto a inflação dispara e os salários não acompanham.

Não há economia capaz de prosperar sem responsabilidade fiscal.

Quando o governo gasta mais do que arrecada, os juros sobem para conter a inflação, o crédito encarece e o país perde confiança.

Foi exatamente isso que se viu: a Selic voltou a patamares altos, enquanto o dólar atingiu máximas históricas. Esse ambiente de incerteza afeta investimento, produtividade e renda — e limita qualquer margem de manobra para o próximo presidente.

Por fim, no bloco institucional, sobrevivemos a um permanente estado de tensão diante de uma Suprema Corte cada vez mais protagonista e de decisões judiciais que ultrapassam o campo técnico.

A condenação de Bolsonaro, que atravessou todo o mandato de Lula, e as recentes indicações ao STF simbolizam esse momento em que a Justiça se confunde com política e a previsibilidade jurídica se torna exceção.

O Brasil de 2026 é um Brasil cansado, incerto e extremamente malgovernado.

Mais do que nunca, precisamos reequilibrar as nossas instituições, restaurar o fôlego da nossa economia e escolher um chefe de governo e Estado que, de fato, tenha vontade política de corrigir os rumos de um Estado caro, lento e desconectado da vida real dos brasileiros.

Letícia Barros é advogada, empreendedora e presidente do Lola Brasil

Linkedin: Letícia Barros

Instagram: @leticiabbarros

As opiniões dos colunistas não necessariamente refletem as de Crusoé e O Antagonista

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Letícia Barros

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Comentários (4)

Lucas Parnoff

2026-01-14 17:31:14

Tirando a parte que não colocou o Renan Santos do partido Missão na direita, a análise está excelente.


2026-01-03 20:12:48

Estamos desgovernados, cansados etc ...


Clayton De Souza pontes

2026-01-03 17:24:28

Os diversos candidatos viáveis da direita não podem subestimar a capacidade de atração de votos do descondenado Lula, que faz tudo pra comprar seu eleitorado


Albino Clarel Bonomi

2026-01-02 07:12:59

Análise impecável!


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Lucas Parnoff

2026-01-14 17:31:14

Tirando a parte que não colocou o Renan Santos do partido Missão na direita, a análise está excelente.


2026-01-03 20:12:48

Estamos desgovernados, cansados etc ...


Clayton De Souza pontes

2026-01-03 17:24:28

Os diversos candidatos viáveis da direita não podem subestimar a capacidade de atração de votos do descondenado Lula, que faz tudo pra comprar seu eleitorado


Albino Clarel Bonomi

2026-01-02 07:12:59

Análise impecável!



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