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    Diários

    Putin e seus "talvez" para encerrar a guerra

    Ditador russo recorre ao advérbio para demonstrar sua real intenção sobre o conflito

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    João Pedro Farah
    3 minutos de leitura 27.11.2025 15:48 comentários 0
    Imagem: Kremlin
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    O ditador russo, Vladimir Putin, afirmou que, caso o país implemente todos os 28 pontos do plano de paz de Donald Trump para a Ucrânia, "talvez surjam condições para contatos bilaterais ou multilaterais". 

    "Eu acho que isso deve levar a algum tipo de normalização. Talvez se implementarmos todas essas propostas da lista entregue pela administração americana, talvez surjam condições para contatos bilaterais ou multilaterais. Mas é cedo demais para falar isso", disse a jornalistas.

    Putin recorre repetidamente ao advérbio “talvez” para reforçar a incerteza do próprio discurso.

    Na prática, o ditador russo busca prolongar o desfecho da guerra na Ucrânia.

    O plano apresentado por Trump prevê a redução de quase 50% do território ucraniano.

    Além disso, Kiev teria de abrir mão de armas fornecidas pelos Estados Unidos, ceder a região de Donetsk e aceitar a proibição de ingressar na Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

    O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, já se colocou à disposição para negociar os termos.

    Dicas de Witkoff ao Kremlin

    A Bloomberg noticiou na terça, 25, que Steve Witkoff (foto), enviado especial dos EUA para missões de paz, aconselhou Yuri Ushakov, principal assessor de política externa de Putin sobre como apresenta uma proposta de acordo de paz a Donald Trump.

    Em outubro, Witkoff sugeriu a Ushakov que o Kremlin emulasse a abordagem usada para garantir um cessar-fogo em Gaza.

    Na ocasião, Trump conseguiu chegar a um plano de 20 pontos para pôr fim à guerra entre o grupo terrorista Hamas e Israel.

    A conversa

    "Steve Witkoff: Yuri, Yuri, eis o que eu faria. Minha recomendação.

    Yuri Ushakov: Sim, por favor.

    Steve Witkoff: Eu faria a ligação e reiteraria que você parabeniza o presidente por essa conquista, que você a apoiou, que você a apoiou, que você o respeita por ser um homem de paz e que você está muito feliz por ter visto isso acontecer. Então eu diria isso. Acho que, a partir disso, será uma ligação muito boa.

    Porque — deixe-me dizer o que eu disse ao Presidente. Eu disse ao presidente que a Federação Russa sempre quis um acordo de paz. Essa é a minha crença. Eu disse ao presidente que acredito nisso. E acredito que a questão é — o problema é que temos duas nações que estão tendo dificuldades para chegar a um consenso e, quando chegarmos, teremos um acordo de paz. Estou até pensando que talvez possamos elaborar uma proposta de paz de 20 pontos, assim como fizemos em Gaza. Elaboramos um plano de paz de 20 pontos, o Plano Trump, que era composto por 20 pontos para a paz, e estou pensando que talvez possamos fazer o mesmo com vocês. Meu ponto é este...

    Yuri Ushakov: Ok, ok, meu amigo. Acho que esse ponto específico nossos líderes poderiam discutir. Ei, Steve, concordo com você que ele vai parabenizar, vai dizer que o Sr. Trump é um verdadeiro homem da paz e blá-blá-blá. É isso que ele vai dizer.

    Steve Witkoff: Mas eis o que eu acho que seria incrível."

    Leia também: Os conselhos do enviado especial de Trump ao Kremlin

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