Crusoé
23.09.2026 Fazer Login Assinar
Crusoé
Crusoé
Fazer Login
  • Acervo
  • Edição diária
Edição Semanal
Pesquisar
crusoe

X

  • Olá! Fazer login
Pesquisar
  • Acervo
  • Edição diária
  • Edição Semanal
  • Entrevistas
  • O Caminho do Dinheiro
  • Ilha de Cultura
  • Leitura de Jogo
  • Poder
  • Colunistas
  • Assine já
    • Princípios editoriais
    • Central de ajuda ao assinante
    • Política de privacidade
    • Termos de uso
    • Política de Cookies
    • Código de conduta
    • Política de compliance
    • Baixe o APP Crusoé
E siga a Crusoé nas redes
Facebook Twitter Instagram
Diários

O Estado engorda, o país murcha

A lógica é simples: para cada crise fabricada ou real, uma nova medida provisória, um novo programa emergencial, um novo imposto “necessário”

avatar
Dennys Xavier
6 minutos de leitura 18.10.2025 09:55 comentários 6
O Estado engorda, o país murcha
Empresário brasileiro. Inteligência artificial Whisk
  • Whastapp
  • Facebook
  • Twitter
  • COMPARTILHAR

Vinte e sete aumentos de impostos em três anos de governo Lula.

A notícia espanta apenas quem ainda acredita que o Leviatã brasileiro está em busca de equilíbrio ou justiça fiscal. Não está. Nunca esteve.

O que há, na verdade, é uma coerência cruel, uma espécie de fidelidade trágica ao modelo estatista que nos persegue desde a velha república, passa por Vargas, se cristaliza na Constituição de 1988 e se refaz a cada governo com novas tintas ideológicas.

O Estado brasileiro é uma máquina que se alimenta da promessa de salvação e se sustenta pela via da espoliação legal.

Tudo isso com o aplauso estimulante de boa parte da população que crê, pobre coitada, que a solução para os problemas causados pelo excesso de Estado é... mais Estado.

Friedrich Hayek, em Os Fundamentos da Liberdade, adverte que a tendência natural do poder estatal, quando não contido, é crescer exponencialmente.

“O grande perigo reside no fato de que cada passo na direção do controle governamental torna o próximo mais fácil”, escreve ele.

A lógica é simples: para cada crise fabricada ou real, uma nova medida provisória, um novo programa emergencial, um novo imposto “necessário”.

E o cidadão? Bem, o cidadão é só a variável de ajuste. Se reclamar muito, vira contribuinte inadimplente; se não reclamar, continua escravo voluntário.

O mais perverso disso tudo é que o modelo funciona. Funciona, claro, para quem o opera. Para quem vive do Estado, e não apesar dele.

Para os que chamam de “povo” uma massa dependente de transferências, auxílios, esmolas estatais, e de “sociedade civil” as ONGs encostadas no orçamento público.

Culpa

O Estado cresce porque há muita gente sendo engordada com ele. E engorda sempre sob o pretexto de corrigir injustiças, combater desigualdades, enfrentar emergências: um eufemismo para o velho projeto de concentrar poder e domesticar consciências.

Hayek compreendeu que o problema não é apenas econômico, mas epistemológico. O planejamento centralizado parte da ilusão de que é possível saber o que é melhor para todos.

Por isso, substitui a liberdade de escolha por diretivas, impõe coerções difusas, cria “incentivos” que são, no fundo, chantagens regulatórias.

Ninguém proíbe explicitamente, mas tudo se dificulta: abrir uma empresa, manter-se formal, contratar, investir, viver.

E se você ousar prosperar fora do trilho estatal, o sistema lhe toma não só a renda, mas também o sentido da culpa. Dirá que sua riqueza é um privilégio e que sua liberdade é egoísmo.

Ora, que país pode resistir a esse tipo de moralidade invertida? Um país em que o cidadão honesto é suspeito, e o dependente é modelo de virtude? Um país onde a ascensão social é vista com desconfiança, mas a manutenção da pobreza ganha verbas, bolsas e burocratas?

A verdade é dura: o Brasil não é um país atrasado por erro, é atrasado por projeto. E dificilmente mudará, digamos logo sem ilusões. Um projeto de poder que se sustenta na expansão ilimitada do Estado, na infantilização política da população e na demonização da liberdade como princípio.

Não se trata, pois, de lutar contra o aumento de impostos em si. Trata-se de compreender o que isso revela: que não há limite.

Se não mudarmos radicalmente o curso (e isso implica, antes de tudo, uma revolução moral que recuse a tutela como conforto e recupere a dignidade da liberdade como valor) seguiremos eternamente prisioneiros de um Estado que cresce porque o deixamos crescer.

Queremos mesmo ser livres?

Hayek nos convida a fazer essa pergunta incômoda: queremos mesmo ser livres? Ou nos acostumamos a essa mediocridade tutelada, em que a esperança é sempre adiada e a liberdade é vista como ameaça?

Um resultado (entre tantos outros) é que empreender, por aqui, não é só difícil, é perigoso. E, não raro, humilhante.

O empresário, mesmo honesto, vive com medo. Medo da Receita, medo da Justiça do Trabalho, medo das mudanças repentinas na legislação, medo de cair em malha por uma vírgula mal colocada em um formulário impenetrável.

Em um país normal, o empreendedor é celebrado. Aqui, é vigiado.

Hayek sabia que onde o Estado se expande sem freios, a liberdade econômica não apenas desaparece: ela se torna, insisto, moralmente suspeita.

Afinal, quem lucra deve estar explorando alguém. Quem cresce deve estar trapaceando. Essa mentalidade, profundamente enraizada, não é apenas ignorante: é destrutiva e degradante. Pois ao punir o mérito, o país premia o fracasso. Ao desincentivar o risco, consagra a estagnação.

E é isso que somos: um país que esmaga quem tenta criar valor e acolhe, com benevolência, os que vivem da redistribuição. Um país onde se abre empresa com medo e se fecha com alívio.

Empresário

O empresário médio brasileiro não pede isenção, nem privilégio. Pede paz. Pede previsibilidade. Pede para não ser tratado como criminoso por querer prosperar. Mas esse pedido ecoa no vazio. Porque o Estado não ouve quem trabalha. O Estado só ouve quem demanda com favor político na manga.

O empresário brasileiro, que ousa erguer algo próprio em meio ao pântano burocrático, ganha em média 6 mil reais por mês, segundo o Sebrae. Outros estudos apontam que quase 70% dos empreendedores (formais ou informais) sobrevivem com até dois salários-mínimos.

Ou seja: enquanto o Estado o vê como um baú a ser arrombado com garra fiscal, sua renda real mal cobre o custo da dignidade. E ainda assim, é ele, empresário, contra tudo e contra todos, quem emprega, investe, insiste.

Imagine: levantar antes do sol, enfrentar crédito caro, ser devorado por encargos, assombrado por instabilidade regulatória: tudo isso para, no fim do mês, tirar o mesmo que um funcionário público júnior. Mas sem férias, sem 13º, sem estabilidade, e com o fisco à espreita. Esse é o destino reservado a quem se atreve a produzir sob o olhar faminto do tão celebrado aparato estatal.

O Estado engorda. O país murcha. O empresário sangra. O cidadão comum naufraga. E seguimos fingindo que isso é normal. Mas não é. A pergunta de Hayek permanece em aberto, como um espinho na consciência nacional: queremos mesmo ser livres ... ou apenas governados/parasitados?

Enquanto isso, não se preocupem: foram vinte e sete aumentos de impostos em três anos; mas não acabou. Outros virão... tudo sob o silencio condescendente de uma população de analfabetos expropriados que ainda brigam pelos donos da coleira.

 

Dennys Xavier é escritor, tradutor e PhD em Filosofia

X: prof_dennys

Instagram: prof.dennysxavier

 

As opiniões dos colunistas não necessariamente refletem as de Crusoé e O Antagonista

Diários

Confiança no STF cai quase 20 pontos, aponta AtlasIntel

Redação Crusoé Visualizar

Lula evoca Sadam Hussein para criticar a captura de Maduro

Redação Crusoé Visualizar

Trump ameaça aniquilar o Irã na Assembleia Geral da ONU

Redação Crusoé Visualizar

Por que Lula recusou uma agenda com Zelensky na ONU

João Pedro Farah Visualizar

Avaliação de Lula iguala a de Jair Bolsonaro em 2022

Redação Crusoé Visualizar

Palavra "corrupção" ressurge em discurso de Lula na ONU

Duda Teixeira Visualizar

Mais Lidas

Avaliação de Lula iguala a de Jair Bolsonaro em 2022

Avaliação de Lula iguala a de Jair Bolsonaro em 2022

Visualizar notícia
Desistência de Bachelet é mais novo fiasco da diplomacia petista

Desistência de Bachelet é mais novo fiasco da diplomacia petista

Visualizar notícia
Flávio alerta contra "mais quatro Alexandres de Moraes" no STF

Flávio alerta contra "mais quatro Alexandres de Moraes" no STF

Visualizar notícia
Imperador Lula tenta interferir na eleição dos EUA

Imperador Lula tenta interferir na eleição dos EUA

Visualizar notícia
Lula evoca Sadam Hussein para criticar a captura de Maduro

Lula evoca Sadam Hussein para criticar a captura de Maduro

Visualizar notícia
Lula faz campanha eleitoral no púlpito da ONU

Lula faz campanha eleitoral no púlpito da ONU

Visualizar notícia
Os estados em que Flávio mais ganhou terreno

Os estados em que Flávio mais ganhou terreno

Visualizar notícia
Palavra "corrupção" ressurge em discurso de Lula na ONU

Palavra "corrupção" ressurge em discurso de Lula na ONU

Visualizar notícia
Por que Lula recusou uma agenda com Zelensky na ONU

Por que Lula recusou uma agenda com Zelensky na ONU

Visualizar notícia
PT freia campanha de Haddad

PT freia campanha de Haddad

Visualizar notícia

Tags relacionadas

Estado

Friedrich Hayek

Impostos

< Notícia Anterior

Crusoé nº 390: A paz de Trump

18.10.2025 00:00 | 4 minutos de leitura
Visualizar
Próxima notícia >

Conselho de Ética vota parecer contra processo de cassação de Eduardo Bolsonaro

18.10.2025 00:00 | 4 minutos de leitura
Visualizar
author

Dennys Xavier

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (6)

Luis

2025-10-19 09:24:01

Dura realidade!!!!!


tclsãopaulo

2025-10-19 09:05:07

Triste realidade !


Eliane ☆

2025-10-18 16:02:24

O vale-tudo para um populista se reeleger; aumento de impostos. E quanto ao cidadão: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.


Andre Luis Dos Santos

2025-10-18 15:58:41

Excelente!


Kátia Menezes

2025-10-18 14:41:39

A frase final è fenomenal: "... expropriados que brigam pelo dono da coleira."


Jorge Antonio Muniz

2025-10-18 10:33:56

Verdadeiro e muito cruel!!!


Torne-se um assinante para comentar

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (6)

Luis

2025-10-19 09:24:01

Dura realidade!!!!!


tclsãopaulo

2025-10-19 09:05:07

Triste realidade !


Eliane ☆

2025-10-18 16:02:24

O vale-tudo para um populista se reeleger; aumento de impostos. E quanto ao cidadão: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.


Andre Luis Dos Santos

2025-10-18 15:58:41

Excelente!


Kátia Menezes

2025-10-18 14:41:39

A frase final è fenomenal: "... expropriados que brigam pelo dono da coleira."


Jorge Antonio Muniz

2025-10-18 10:33:56

Verdadeiro e muito cruel!!!



Notícias relacionadas

Confiança no STF cai quase 20 pontos, aponta AtlasIntel

Confiança no STF cai quase 20 pontos, aponta AtlasIntel

Redação Crusoé
22.09.2026 17:19 2 minutos de leitura
Visualizar notícia
Lula evoca Sadam Hussein para criticar a captura de Maduro

Lula evoca Sadam Hussein para criticar a captura de Maduro

Redação Crusoé
22.09.2026 15:28 3 minutos de leitura
Visualizar notícia
Trump ameaça aniquilar o Irã na Assembleia Geral da ONU

Trump ameaça aniquilar o Irã na Assembleia Geral da ONU

Redação Crusoé
22.09.2026 15:01 3 minutos de leitura
Visualizar notícia
Por que Lula recusou uma agenda com Zelensky na ONU

Por que Lula recusou uma agenda com Zelensky na ONU

João Pedro Farah
22.09.2026 14:48 2 minutos de leitura
Visualizar notícia
Crusoé
o antagonista
Facebook Twitter Instagram

Acervo Edição diária Edição Semanal

Redação SP

Av Paulista, 777 4º andar cj 41
Bela Vista, São Paulo-SP
CEP: 01311-914

Acervo Edição diária

Edição Semanal

Facebook Twitter Instagram

Assine nossa newsletter

Inscreva-se e receba o conteúdo de Crusoé em primeira mão

Crusoé, 2026,
Todos os direitos reservados
Com inteligência e tecnologia:
Object1ve - Marketing Solution
Quem somos Princípios Editoriais Assine Política de privacidade Termos de uso