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Panorama do programa nuclear iraniano após os bombardeios de Israel

O Irã possui mais de 400 quilos de urânio enriquecido a 60%, quantidade que não possui aplicação civil prática e que se aproxima do nível necessário para produção de urânio armamentício

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Redação Crusoé
4 minutos de leitura 16.06.2025 10:34 comentários 0
Panorama do programa nuclear iraniano após os bombardeios de Israel
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A série de bombardeios direcionados por Israel ao Irã teve como foco figuras proeminentes como generais e cientistas nucleares, além de atacar diretamente o programa nuclear iraniano.

Os ataques continuam, levantando questões sobre os principais locais relacionados ao programa e os danos resultantes das ofensivas.

Qual o panorama das instalações nucleares do Irã até agora tendo em vista o que já foi divulgado?

1. Natanz

A instalação nuclear em Natanz é um dos pilares do programa atômico do Irã, abrigando centrifugas subterrâneas responsáveis pelo enriquecimento de urânio.

O urânio natural contém apenas 0,7% do isótopo físsil urânio-235, que deve ser elevado a 3 a 5% para uso em reatores nucleares.

Contudo, o Irã possui mais de 400 quilos de urânio enriquecido a 60%, quantidade que não possui aplicação civil prática e que se aproxima do nível necessário para produção de urânio armamentício, que requer pelo menos 85% de enriquecimento.

Vídeos compartilhados nas redes sociais mostram fumaça negra ascendendo sobre a instalação. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou que Natanz foi um dos alvos dos ataques israelenses.

Um registro de satélite mostra danos em diversos edifícios na instalação, mas a extensão dos prejuízos na parte subterrânea permanece incerta.

2. Arak

Localizado nas proximidades da cidade de Arak, o reator de água pesada IR-40 se diferencia dos reatores convencionais por utilizar água pesada (DO) tanto para resfriamento quanto para moderação.

Essa configuração permite que reatores de água pesada operem com urânio natural, mas requer a produção significativa de água pesada, que também ocorre em Arak. Esses reatores apresentam maior risco de proliferação em comparação aos reatores de água leve.

Segundo autoridades iranianas, o local do reator foi atacado; no entanto, as imagens de satélite da manhã seguinte ao ataque não indicaram danos visíveis nas estruturas.

3. Parchin

A base militar em Parchin, situada a cerca de 30 quilômetros a sudeste de Teerã, é suspeita de abrigar uma instalação secreta dedicada ao desenvolvimento de armas nucleares.

Em outubro de 2024, Israel já havia atacado um edifício neste complexo utilizando drones.

As informações vindas do Irã confirmam que o complexo militar foi atingido; no entanto, não foi possível verificar essa informação de forma independente até o momento.

4. Fordo

A instalação nuclear Fordo é responsável pelo enriquecimento de urânio assim como Natanz.

Inaugurada em 2011, Fordo começou a produzir urânio com um teor de 20% desde 2021, supostamente para fins médicos.

No entanto, em 2023, a AIEA detectou partículas de urânio com um teor de 83,7% no local. Considerada altamente protegida e situada centenas de metros sob as montanhas, Fordo é um alvo estratégico nas operações israelenses.

Mídias iranianas relataram ataques à Fordo na noite de sexta-feira; porém, no sábado, Israel negou ter realizado tais ações. O diretor da AIEA, Rafael Grossi, afirmou que até então não foram observados danos na instalação.

Israel confirmou que Fordo é central para suas operações ofensivas. O embaixador israelense nos Estados Unidos, Michael Leiter, declarou em uma entrevista à Fox News: "Toda a operação deve culminar na eliminação da Fordo."

5. Isfahan

Isfahan é considerado o coração científico do programa nuclear iraniano, possuindo um centro de pesquisa com múltiplos reatores menores.

É aqui que se produz hexafluoreto de urânio gasoso, material essencial para as etapas posteriores em Natanz e Fordo. Também há instalações voltadas à fabricação de pastilhas nucleares.

No final da noite de sexta-feira, um porta-voz do exército israelense confirmou ataques à instalação em Isfahan. No sábado, a AIEA informou que o local havia sido atacado “diversas vezes” em 13 de junho; imagens obtidas em 14 de junho mostram edifícios danificados.

6. Bushehr

A usina nuclear localizada em Bushehr representa o único reator nuclear operacional no Irã.

Inicialmente planejada para ser construída por empresas alemãs ocidentais antes da Revolução Iraniana em 1979, a usina só foi concluída com o auxílio da Rússia e entrou em operação em 2011.

Embora houvesse preocupações sobre a possibilidade do Irã extrair plutônio armamentício dos rejeitos nucleares gerados na usina, especialistas consideram esse risco baixo devido ao monitoramento constante da AIEA sobre os resíduos e à natureza dos combustíveis utilizados nos reatores leves.

De acordo com Rafael Grossi da AIEA, a instalação ainda não foi afetada pelos recentes ataques.

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