Frango e sorgo brasileiros podem ganhar com reação chinesa aos EUA
Início da exportação de sorgo, usado para alimentação animal e produção de etanol e biomassa, deve acontecer este ano

A China anunciou nesta sexta, 4, tarifas adicionais de 34% para produtos importados dos Estados Unidos após o anúncio do tarifaço do presidente americano Donald Trump.
Além das tarifas adicionais, a China também adotou medidas não tarifárias contra empresas americanas que produzem carne de frango e sorgo, as quais poderão beneficiar o Brasil no futuro.
Quando os chineses deixam de comprar produtos americanos, o Brasil pode preencher o espaço, exportando mais para a China.
Alegação de saúde
A China anunciou a suspensão imediata na importação de produtos de frango de três empresas dos EUA e da importação de sorgo da C&D, citando preocupações com a saúde.
"Para proteger a saúde pública e a segurança da produção pecuária, e de acordo com as leis chinesas relevantes e os regulamentos relevantes da Organização Mundial do Comércio (OMC), a autoridade chinesa decidiu suspender a qualificação de importação de sorgo da empresa norte-americana C&D (USA) INC, e a qualificação de importação de farinha de carne e ossos de aves de empresas como American Proteins, Inc, Mountaire Farms of Delaware, Inc e DARLING INGREDIENTS INC", diz o jornal Global Times, próximo ao Partido Comunista da China.
Frango
O sorgo é um cereal usado na alimentação dos animais e para a produção de etanol e biomassa.
O Brasil é de longe o maior fornecedor de carne de frango para a China. Só em fevereiro deste foram embarcadas quase 50 mil toneladas.
Os Estados Unidos ficam em segundo lugar, porque têm enfrentado diversos empecilhos para exportar para a China.
O país asiático suspendeu as importações de frango americano entre 2015 e 2019, devido a um surto de influenza aviária.
Sorgo
O mercado chinês de sorgo só se abriu ao Brasil no ano passado, após visita do ditador chinês Xi Jinping ao Brasil (foto), para a reunião do G20.
A expectativa é que os produtores brasileiros comecem a exportar sorgo para a China este ano.
O Brasil atualmente é o terceiro maior produtor de sorgo do mundo, mas ainda vende pouco ao exterior.
Com uma produção de 4,5 milhões de toneladas, o país exportou apenas 180 mil toneladas em 2024. Boa parte da produção ainda é consumida internamente.
Quem domina esse setor é os Estados Unidos que, ao que tudo indica, terão mais dificuldades com a China.
Abramilho
Mas dois fatores precisam ser levados em conta.
O primeiro é que a cultura do sorgo no Brasil ainda está se desenvolvendo.
Outro fator é o protocolo sanitário.
Apesar de um acordo já ter sido assinado com a China, ainda se aguarda a visita dos agentes sanitários do país para vistoriar as lavouras.
"Normalmente, essa vistoria precede a assinatura do acordo. Então, o fato de que o tratado já tenha sido assinado sinaliza uma certa urgência dos chineses em ter mais opções para compra, além dos americanos", diz o assessor técnico Daniel Rosa, da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo, Abramilho.
"Ainda não se sabe se a vistoria será um impeditivo para o início dos embarques do sorgo brasileiro ou não. Mas, se os chineses quiserem comprar mesmo, eles vão ignorar essa questão e comprar", diz Rosa.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)