Quem ganha com cessar-fogo no Mar Negro?
EUA fazem importante concessão à Rússia, que continua avançando na guerra

Rússia e a Ucrânia concordaram em interromper os combates no Mar Negro, após um acordo mediado pelos Estados Unidos nesta terça, 25.
Ainda não ficou definido, porém, quando os termos entrarão efetivamente em vigor.
Para os russos, há o entendimento de que terá algum controle sobre o transporte comercial pelo mar.
O Kremlin condicionou o cumprimento do acordo à derrubada das sanções impostas pelos americanos e União Europeia sobre as exportações agrícolas.
Em comunicado oficial, a Casa Branca disse que ajudará a reinserir a Rússia no mercado mundial e novo sistema bancário internacional.
Além disso, a trégua beneficiará o frete marítimo russo.
"Os Estados Unidos ajudarão a restaurar o acesso da Rússia ao mercado mundial de exportações agrícolas e de fertilizantes, reduzirão os custos do seguro marítimo e melhorarão o acesso a portos e sistemas de pagamento para tais transações", diz trecho.
A União Europeia ainda não se manifestou sobre a flexibilização das sanções.
Sem pressa
A nova exigência da russa é uma forma de ganhar mais tempo e prolongar a invasão.
Enquanto os EUA fazem concessões favoráveis a Rússia, o exército segue avançando nos campos de batalha.
"O acordo não impede a Rússia de continuar a guerra. Os ataques contra as instalações militares vão continuar. Isso significa que, na prática, a guerra continua", afirma o analista militar Ricardo Cabral, do site História Militar em Debate.
Desconfiança
O governo ucraniano vê o acordo com ceticismo, apesar de tê-lo assinado.
Segundo o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, a exigência russa sobre as exportações agrícolas demonstra que "eles já estão tentando distorcer os acordos".
Além disso, Kiev acredita que o acordo sobre o Mar Negro não deveria permitir a Marinha da Rússia retornar ao oeste do Mar Negro, área estratégica para as exportação ucranianas.
A Casa Branca informou que os Estados Unidos ajudarão a concretizar a troca de prisioneiros de guerra e a libertação de civis e crianças ucranianas presas em moscou.
Não ficou claro se o novo acordo protegeria os portos ucranianos de ataques russos e nem se permitiram a reabertura dos portos de Mykolaiv e Kherson, uma exigência ucraniana.
Ataques continuam
Na semana passada, Putin e Zelensky assinaram um acordo interrompendo os ataques contra as infraestruturas energéticas por 30 dias.
No entanto, os dois lados trocaram acusações de violações alegando ataques contra as redes elétricas.
Moscou ainda não aceitou o acordo de cessar-fogo total sugerido por Zelensky e segue arrastando as negociações sobre o fim da guerra.
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