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Quais são os efeitos no corpo dos astronautas que passam muito tempo no espaço?

Microgravidade afeta músculos, ossos, visão, equilíbrio e circulação mesmo com rotina intensa de exercícios

Por Sofia Volpi
10/04/2026
Em Geral
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Astronauta e piloto Victor Glover no Artemis II. Foto: Nasa

Astronauta e piloto Victor Glover no Artemis II. Foto: Nasa

Ficar meses no espaço muda o corpo de forma real e mensurável, segundo a NASA e a Agência Espacial Europeia (ESA), a microgravidade reduz a carga sobre músculos e ossos, altera a distribuição de fluidos, afeta a visão e desregula sistemas do equilíbrio. 

Músculos e ossos perdem força

Um dos efeitos mais conhecidos é a perda de massa muscular, a NASA afirma que, os ossos que suportam peso podem perder em média de 1% a 1,5% de densidade mineral por mês no espaço, enquanto os músculos enfraquecem porque deixam de trabalhar contra a gravidade como fazem na Terra. 

A ESA resume o quadro de forma parecida e diz que longas permanências em gravidade zero não fazem bem ao corpo justamente por acelerarem a atrofia muscular e perda óssea.

Por isso, astronautas mantêm uma rotina pesada de exercícios a bordo da Estação Espacial Internacional. Mesmo assim, a própria NASA informa que o treino ajuda a controlar as perdas, mas não elimina totalmente o problema.

Sunita Williams e Butch Wilmore passaram quase 300 dias no espaço.
Foto: NASA/Mark Sowa, AP Photo/John Raoux e Keegan Barber/NASA

Fluidos sobem para a cabeça e isso mexe com a visão

Outro efeito importante é a redistribuição de fluidos, sem gravidade, puxando líquidos para baixo, parte desse volume sobe em direção à cabeça. 

A ESA afirma que esse deslocamento está ligado a alterações no globo ocular e a mudanças na visão. 

A NASA e algumas revisões científicas associam esse processo ao chamado Spaceflight-Associated Neuro-Ocular Syndrome (SANS), síndrome que pode incluir inchaço do disco óptico, achatamento da parte posterior do olho e alterações visuais.

Equilíbrio e coordenação pioram quando eles voltam

Na volta à Terra, muitos astronautas sentem o impacto imediatamente ao tentar ficar em pé, andar ou mover a cabeça. 

A ESA explica que o retorno à gravidade pode causar distúrbio vestibular, maior risco de tontura e até desmaio, combinação ligada a dificuldade de regular a pressão arterial, mudanças cardíacas e desidratação. 

Um estudo de 2024 também encontrou prejuízo no desempenho de tarefas simuladas de pouso após missões longas, reforçando que a readaptação neurossensorial não é instantânea.

Astronautas do Artemis II já estão voltando para casa. Foto: NASA

O sistema cardiovascular também sente

A NASA informa que o ambiente espacial leva a queda de capacidade aeróbica, alteração da motilidade vascular e piora de parâmetros físicos ligados ao desempenho.

A ESA acrescenta que até o músculo cardíaco sofre atrofia apesar das horas diárias de exercício. Em outras palavras, o coração e a circulação também deixam de trabalhar no mesmo regime exigido pela gravidade terrestre.

Pele, sangue e metabolismo entram na check-list

Os efeitos não ficam restritos a músculos, ossos e visão. A ESA relata que, após voos longos, pode haver afinamento da epiderme e perda de elasticidade da pele. 

Revisões biomédicas recentes também descrevem alterações hematológicas, inflamatórias e metabólicas, incluindo evidências de hemólise aumentada em missões prolongadas.

A cabeça também muda

Missões longas não afetam só o corpo físico. Revisões científicas sobre saúde mental em voos espaciais apontam que isolamento, confinamento, ambiente hostil e carga operacional elevada podem trazer impacto psicológico relevante, com riscos para bem-estar, atenção e desempenho. 

Estudos sobre o chamado “space fog” também descrevem relatos de lapsos de atenção, confusão e dificuldades psicomotoras após longas exposições à microgravidade.

Nada disso significa que o dano seja igual para todos

Os efeitos variam conforme duração da missão, organismo do astronauta e qualidade das contramedidas usadas. 

A NASA mantém um conjunto formal de “riscos da exploração humana” justamente porque parte dessas alterações pode ser mitigada com exercício, dieta, monitoramento médico e pesquisa contínua, mas não totalmente anulada.

 

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Sofia Volpi

Sofia Volpi

Comunicadora, jornalista em formação. Apaixonada por esportes e cultura, colunista.

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