O Brasil vive um paradoxo turístico em 2026. Após bater recordes históricos de receita e de fluxo de visitantes em 2025, o país vê, pela primeira vez em anos, uma desaceleração preocupante nas reservas internacionais. De acordo com representantes do setor aéreo, o motivo disso seriam “impostos altos” praticados no país.
Em uma conversa com jornalistas após o encerramento da Assembleia Geral Anual da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), o diretor-geral da organização, Willie Walsh, disse que as companhias aéreas operam com baixas margens de lucro devido aos impostos e também citou a reforma tributária brasileira como uma das “culpadas” pela queda no turismo.
Além disso, a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH) aponta que a combinação da reforma tributária, que elevou a carga sobre passagens aéreas para 26,5%, com a obrigatoriedade do e-Visa para cidadãos de países ricos, aumentou o custo final de uma viagem ao Brasil em até 10%.
A barreira dos 26,5%
O principal gargalo identificado é a nova alíquota do Imposto sobre Valor Agregado aplicada sobre os serviços de transporte aéreo. Dados da IATA, divulgados no início deste ano, projetavam uma queda de demanda de até 29% com a majoração da tarifa média internacional de US$ 740 para US$ 935.
De acordo com especialistas, com impostos já representando quase 30% do valor da passagem na América Latina, a nova reforma consolida o país como um dos mercados mais onerados da região, perdendo competitividade para vizinhos como a Argentina e o México, que mantêm taxas de entrada simbólicas.
Contraste com recorde em 2025
Apesar da queda percebida no turismo neste ano, o cenário atual contrasta fortemente com os números de 2025, quando o Brasil recebeu 9,3 milhões de visitantes internacionais. Isso representou um salto de 37% em relação ao ano anterior e garantiu um faturamento de US$ 7,8 bilhões ao país.
Especialistas alertam que, sem uma revisão na alíquota do VAT aéreo ou incentivos compensatórios, o Brasil pode reverter os ganhos da última década. “O turista tem opções. Se o custo-benefício deixa de ser atrativo, ele muda o destino dentro da própria América Latina”, resume um analista de mercado de turismo.




