Crusoé
10.06.2026 Fazer Login Assinar
Crusoé
Crusoé
Fazer Login
  • Acervo
  • Edição diária
Edição Semanal
Pesquisar
crusoe

X

  • Olá! Fazer login
Pesquisar
  • Acervo
  • Edição diária
  • Edição Semanal
  • Entrevistas
  • O Caminho do Dinheiro
  • Ilha de Cultura
  • Leitura de Jogo
  • Poder
  • Colunistas
  • Assine já
    • Princípios editoriais
    • Central de ajuda ao assinante
    • Política de privacidade
    • Termos de uso
    • Política de Cookies
    • Código de conduta
    • Política de compliance
    • Baixe o APP Crusoé
E siga a Crusoé nas redes
Facebook Twitter Instagram
Edição Semana 422

A ilusão da neutralidade

Quando a pressão do sistema internacional atinge o ponto de ebulição, a suposta solidariedade entre as potências médias evapora

avatar
Márcio Coimbra
5 minutos de leitura 29.05.2026 03:30 comentários 3
A ilusão da neutralidade
Trump e Xi Jinping. Inteligência artificial Grok
  • Whastapp
  • Facebook
  • Twitter
  • COMPARTILHAR

O debate sobre a ordem global está saturado de anacronismos.

Acadêmicos e diplomatas, apegados às ilusões institucionais do final do século 20, continuam a pregar as virtudes de um mundo multipolar que, na realidade factual de 2026, não existe.

A paisagem internacional consolidou-se em uma bipolaridade rígida, um campo gravitacional de soma zero dominado por Washington e Pequim.

Para as chamadas potências médias — nações com peso econômico e regional significativos, mas sem escala para projeção de poder global —, o tempo da ambiguidade estratégica acabou. O disfarce do pragmatismo romântico foi arrancado pela dinâmica da realpolitik.

Historicamente, o manual de sobrevivência das potências médias consistia na prática do hedging: uma cobertura de riscos onde se terceirizava a segurança para a arquitetura ocidental liderada pelos EUA enquanto se colhiam os frutos do apetite comercial da China.

Esse jogo duplo dependia de uma premissa que desmoronou: a de que as duas superpotências tolerariam a indefinição em nome da estabilidade dos mercados.

Hoje, a competição sino-americana não é uma disputa por fatias de mercado, é uma colisão por hegemonia tecnológica, militar e normativa. Nesse cenário, o que as potências médias chamavam de neutralidade é interpretado por Washington e Pequim como desalinhamento ou, pior, deserção.

Quando a pressão do sistema internacional atinge o ponto de ebulição, a suposta solidariedade entre as potências médias evapora.

A ideia de que esses países podem se unir em coalizões ad hoc ou blocos independentes para contrabalançar os dois gigantes é uma fantasia que ignora como o poder bruto opera na anarquia internacional.

Diante de tarifas aduaneiras punitivas, sanções financeiras ou restrições ao acesso a mercados essenciais, o comportamento factual dessas nações é a dispersão. O cálculo de sobrevivência individual anula a ação coordenada.

É sob essa ótica desprovida de sentimentalismos que a inserção internacional do Brasil precisa ser dissecada.

Tecnologia

O país opera tradicionalmente sob o dogma do não-alinhamento, uma herança diplomática que pressupõe que a magnitude territorial, a autossuficiência alimentar e a distância geográfica dos principais teatros de guerra garantem um salvo-conduto de neutralidade perpétua.

No entanto, a realidade factual expôs os limites físicos e tecnológicos desse modelo. Em primeiro lugar, a disputa pela infraestrutura digital essencial — que abrange as redes de 5G/6G, a arquitetura de semicondutores, a inteligência artificial e as patentes de transição energética — removeu a possibilidade de neutralidade técnica.

Não há meio-termo na escolha de um ecossistema tecnológico estratégico. Adotar a infraestrutura digital chinesa aciona gatilhos automáticos de exclusão nos sistemas de segurança, inteligência e cooperação militar do Ocidente.

Brics

Em segundo lugar, a projeção brasileira por meio de blocos como os Brics padece de um erro crasso de diagnóstico sobre a assimetria interna do grupo.

O bloco não é uma liga de iguais concebida para democratizar a governança global.

Com as recentes expansões, os Brics consolidaram-se como uma órbita de gravidade econômica e geopolítica controlada de forma inequívoca por Pequim.

Ao buscar capitalizar politicamente no bloco para amplificar sua voz contra a hegemonia ocidental, o Brasil não está liderando uma coalizão alternativa, pois está, de fato, permitindo que sua diplomacia seja instrumentalizada como massa de manobra para a agenda revisionista chinesa.

O desejado multilateralismo transformou-se em um alinhamento por gravidade.

Segurança

A história recente oferece lições brutais sobre o custo de subestimar a realpolitik. A Austrália tentou exercer sua autonomia diplomática ao questionar Pequim e viu suas exportações agrícolas serem sumariamente estranguladas por sanções econômicas informais chinesas, e a resposta factual veio da capitulação da autonomia em troca do guarda-chuva militar americano via pacto Aukus.

A União Europeia, por sua vez, passou anos discursando sobre "autonomia estratégica", apenas para descobrir, ao primeiro disparo de artilharia em suas fronteiras, que sua segurança é inteiramente refém da infraestrutura e da vontade política de Washington.

Ficar no centro de um cabo de guerra entre duas potências nucleares exige um músculo econômico, tecnológico e militar que o Brasil e seus pares simplesmente não possuem.

A diplomacia performática de fóruns internacionais e os discursos moralistas perdem o valor diante de cadeias de suprimentos militarizadas e da diplomacia de coerção.

Para o analista que observa os fatos e não as narrativas, o diagnóstico é claro: a neutralidade absoluta na atual conjuntura não é demonstração de força ou independência, é o caminho mais rápido para a irrelevância estratégica e a vulnerabilidade econômica.

O Brasil não precisa escolher um lado por afinidade ideológica, mas precisa urgentemente abandonar o romantismo diplomático.

Em um mundo onde as superpotências traçam as linhas no chão com poder bruto, quem insiste em caminhar em cima delas inevitavelmente acaba atropelado.

Márcio Coimbra é CEO da Casa Política e presidente-executivo do Instituto Monitor da Democracia

X: @mcoimbra

As opiniões dos colunistas não necessariamente refletem as de Crusoé e O Antagonista

Diários

Janja explica por que Lula não vai à missa

Duda Teixeira Visualizar

"Estamos de volta", diz Witzel

Redação Crusoé Visualizar

"Preferimos a linguagem da diplomacia, mas falamos outras línguas com mais fluência"

Redação Crusoé Visualizar

Quando a dor dos outros vira entretenimento

Maristela Basso Visualizar

Censura de Nunes Marques é Direito Xandônico com sinal trocado

Duda Teixeira Visualizar

Carta do PT a evangélicos não menciona aborto

Redação Crusoé Visualizar

Mais Lidas

A jogada errática de Lula ao indicar – de novo – Messias ao STF

A jogada errática de Lula ao indicar – de novo – Messias ao STF

Visualizar notícia
AtlasIntel responde a Nunes Marques

AtlasIntel responde a Nunes Marques

Visualizar notícia
Campanha artificial

Campanha artificial

Visualizar notícia
Carta do PT a evangélicos não menciona aborto

Carta do PT a evangélicos não menciona aborto

Visualizar notícia
Censura de Nunes Marques é Direito Xandônico com sinal trocado

Censura de Nunes Marques é Direito Xandônico com sinal trocado

Visualizar notícia
"Eles vão apenas se deixar em paz por mais uma semana ou algo assim"

"Eles vão apenas se deixar em paz por mais uma semana ou algo assim"

Visualizar notícia
Janja explica por que Lula não vai à missa

Janja explica por que Lula não vai à missa

Visualizar notícia
Mais um fiasco para Datena?

Mais um fiasco para Datena?

Visualizar notícia
O golpe da maioridade

O golpe da maioridade

Visualizar notícia
Os fantasmas golpistas na eleição peruana

Os fantasmas golpistas na eleição peruana

Visualizar notícia

Tags relacionadas

China

Diplomacia

Geopolítica

neutralidade

< Notícia Anterior

Brasil: exportador e indefeso

22.05.2026 00:00 | 4 minutos de leitura
Visualizar
Próxima notícia >

Campanha artificial

05.06.2026 00:00 | 4 minutos de leitura
Visualizar
author

Márcio Coimbra

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (3)

Marcilio Monteiro De Souza

2026-06-02 10:53:43

Tá falado, o tempo de ficar encima do muro passou. Acabou.


Andre Luis dos Santos

2026-05-30 13:53:10

Excelente. E lamentável que esse Lula, seu ParTidinho de merda, e seu Itamaraty de mais merda ainda, ainda se comportem como viuvas da falida União Soviética, seguindo com esse antiamericanismo idiota e essa vassalagem com a China.


ISABELLE ALÉSSIO

2026-05-30 09:16:59

👏🏻🏆


Torne-se um assinante para comentar

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (3)

Marcilio Monteiro De Souza

2026-06-02 10:53:43

Tá falado, o tempo de ficar encima do muro passou. Acabou.


Andre Luis dos Santos

2026-05-30 13:53:10

Excelente. E lamentável que esse Lula, seu ParTidinho de merda, e seu Itamaraty de mais merda ainda, ainda se comportem como viuvas da falida União Soviética, seguindo com esse antiamericanismo idiota e essa vassalagem com a China.


ISABELLE ALÉSSIO

2026-05-30 09:16:59

👏🏻🏆



Notícias relacionadas

O jogo dos 7 erros no debate sobre terrorismo

O jogo dos 7 erros no debate sobre terrorismo

Clarita Maia
05.06.2026 03:30 8 minutos de leitura
Visualizar notícia
Flávio e a diferença entre herdar uma base e conquistar um país

Flávio e a diferença entre herdar uma base e conquistar um país

Roberto Reis
05.06.2026 03:30 7 minutos de leitura
Visualizar notícia
A democracia sobrevive quando ninguém mais quer enxergar?

A democracia sobrevive quando ninguém mais quer enxergar?

Maristela Basso
05.06.2026 03:30 5 minutos de leitura
Visualizar notícia
Os influenciadores do crime

Os influenciadores do crime

Wal Lima
05.06.2026 03:30 6 minutos de leitura
Visualizar notícia
Crusoé
o antagonista
Facebook Twitter Instagram

Acervo Edição diária Edição Semanal

Redação SP

Av Paulista, 777 4º andar cj 41
Bela Vista, São Paulo-SP
CEP: 01311-914

Acervo Edição diária

Edição Semanal

Facebook Twitter Instagram

Assine nossa newsletter

Inscreva-se e receba o conteúdo de Crusoé em primeira mão

Crusoé, 2026,
Todos os direitos reservados
Com inteligência e tecnologia:
Object1ve - Marketing Solution
Quem somos Princípios Editoriais Assine Política de privacidade Termos de uso