ReproduçãoDe repente, a solidão: o ex-senador viu o poder escorrer pelas mãos

O ocaso de uma estrela

Pilhado pela Lava Jato e transformado em delator, Delcídio Amaral fala sobre o exílio a que foi submetido e revela as entranhas do PT
19.10.18

Delcídio é rápido na resposta. E define sem medo alguns dos medalhões da política com os quais lidava antes de caírem — ele e os medalhões — em desgraça.

Lula? “O Encantador de serpentes.”

Dilma? O ex-senador, outrora poderosíssimo, pensa. Ri. Até que responde sem responder: “Eu estava com uma palavra aqui.” Pensa de novo. “Deixa eu ver uma expressão, uma adjetivação correta. Passa para as outras.”

Aécio Neves? Ele ri de novo. “Tem uma frase do (filósofo francês) François La Rochefoucauld que diz que a hipocrisia é a homenagem do vício à virtude.”

Renan Calheiros? Ri mais uma vez. “Dispensa comentários. É um cangaceiro.”

Romero Jucá? “Romero… Ele tem uma característica. Ele pode enfrentar situações ruins e sobrevive. É um resiliente. Mas quero pensar um pouquinho mais. Resiliente ainda é um elogio para ele.”

Voltamos para Dilma. “Rempli de soi-même (“cheia de si mesma”, em francês). Ela é uma ensimesmada. Ela se equivoca seguidamente.”

A esta altura, ele já pensou um pouco mais sobre Jucá: “Ele é o ilusionista. É capaz de pegar um troço ruim e convencer as pessoas de que é bom. Ele te ilude.”

Eunício Oliveira? “Já viu aquele filme ‘O Advogado do Diabo’? A soberba é meu pecado predileto.”

Aloizio Mercadante? “Bizarro.”

José Eduardo Cardozo? “Difícil. Ele é o equilibrista.”

E Temer? “Um conjunto de palavras em busca de uma ideia.”

Eram 14h40 da última terça feira quando o ex-líder do governo Dilma Rousseff no Senado Delcídio do Amaral, de 63 anos, recebeu Crusoé no Grand Park Hotel, próximo ao centro de Campo Grande. Chegou em um Jeep branco conduzido por um assessor. Vinte quilos mais magro do que nos tempos de Brasília, ele vestia uma camisa azul e branca quadriculada, solta para fora da calça jeans. Os cabelos brancos, um pouco mais compridos, estavam divididos ao meio.

Suas avaliações sobre os personagens da República e, como se verá a seguir, sobre os acontecimentos nacionais dos últimos anos, são relevantes porque ele viveu de perto a ascensão e queda da era petista. Foi, inclusive, protagonista de grande parte dos episódios.

Eleito senador em 2002, três anos depois Delcídio presidiu a CPI dos Correios, instalada para investigar o mensalão, o esquema de compra de parlamentares pelo governo Lula. Ligado ao setor de energia, participou de boa parte das negociações das indicações políticas da Petrobras que desembocaram no petrolão. Reeleito em 2010 com a maior votação da história em seu estado, assistiu à queda gradual do governo Dilma, especialmente quando se tornou líder do governo no Senado em abril de 2015. Preso pela Lava Jato sete meses depois, fez um acordo de delação premiada que o libertou da cadeia em fevereiro de 2016. As revelações que fez levaram os senadores a cassar seu mandato, três meses depois.

Pela primeira vez depois de todos episódios, ele dá uma entrevista a um veículo da imprensa nacional. Deixa claro que ainda não largou a política, a despeito de sua fragorosa derrota na eleição para o Senado no último dia 7 — teve 109.927 votos, ficando em sétimo lugar, com 4,76% dos votos.

Pouco antes de começar a responder as perguntas, Delcídio fala ao telefone em linguagem cifrada. Linguagem de político. “Liguei para ver como as coisas estão.” “O problema é que eles ficam olhando para a gente com cara de coruja e a gente não sabe se é a favor ou se é contra.” “A briga foi grande e queria saber de você se tem alguma novidade nisso.” Desliga e muda de assunto. Fala sobre pecuária, sua principal atividade econômica hoje.

O lugar escolhido pelo ex-senador para a entrevista é sintomático: o escritório de seu advogado, diante de uma estante repleta de livros jurídicos. Um conhecido dele de apelido “Gaúcho”, correntes de prata no pescoço, recebe-o com elogios: “Não tem onde você vá que a mulherada não pira o cabeção.” Delcídio sorri, orgulhoso de si mesmo.

Nas quatro horas de conversa, porém, ao relembrar os tempos em que vivia na corte, mareja os olhos repetidas vezes. Nunca usa o termo prisão ou cadeia para se referir ao período que passou enjaulado. A seguir, os principais trechos da conversa.

As eleições

O juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara da Justiça Federal de Brasília, tornou pública a sentença de Delcídio no dia 12 de julho deste ano. O ex-senador foi absolvido da acusação de tentar comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. A partir dali, ele entrou em uma batalha jurídica para viabilizar sua candidatura. Seu novo partido, o PTC, registrou um figurante que foi substituído por ele no último dia do prazo legal, 17 de setembro. O ex-petista fez a campanha sub judice. Ele lista os motivos que o levaram a tentar voltar para Brasília: “Reocupar meu espaço na política. Resgatar meu time que estava espalhado no estado inteiro. Me defender. Falar que fui injustiçado e inocentado.” A despeito do resultado, um sétimo lugar, ele garante que considera a campanha vitoriosa. “Enfrentei meu medo de andar na rua, algo que nunca tive. Mas que, por tudo o que aconteceu comigo, passei a ter. Tinha medo do julgamento da rua. Fiquei dois anos e meio recluso. Não tinha contato com as pessoas. Não ia a lugares públicos. Não sabia como seria recebido.” Em tom sarcástico, gosta de comparar sua votação com a do senador Aécio Neves, um dos seus algozes no Senado. O tucano se elegeu deputado federal por Minas Gerais. Delcídio diz que, proporcionalmente, teve muitos mais votos (4,72%) do que o tucano (1,06%).

Na campanha presidencial, votou em Alvaro Dias, do Podemos, ao qual seu partido, o PTC, se coligou. No seu estado, Jair Bolsonaro ganhou de lavada de Fernando Haddad: 55% a 23%. Delcídio comenta os motivos de o militar estar quase com a faixa presidencial. “Vácuo de lideranças, desgaste das instituições. E aparece Bolsonaro, que fala espontaneamente o que o povo quer ouvir. Não tem vergonha de falar e, em muitas situações, por convicção. Não é porque é orientado.”

Também atribuiu o fenômeno a uma guerra “autofágica” entre a esquerda (PT) e o centro (PSDB e MDB): “Morreram todos e a direita cresceu”. Ele rejeita a tese da esquerda de haver risco democrático com a provável eleição do capitão. “Até porque vai ter condições melhores para ele (Bolsonaro) atuar. Aquela turma que controlava o Congresso não estará mais no jogo. Ele vai ter condições muito menos insalubres.” Indagado, não revela o voto no segundo turno. Ante a insistência do repórter, finalmente responde: “Meu voto é pragmático. Voto no Bolsonaro”.

No segundo turno no Mato Grosso do Sul, empenha-se para ajudar a eleger Juiz Odilon, do PDT, que se destacou pelo enfrentamento ao narcotráfico no estado. O magistrado aposentado disputa contra o governador Reinaldo Azambuja, do PSDB. “Se ele ganha vai ser excelente. Projeto novo, mais alinhado com o nosso campo político.” Garante não pretender ocupar cargos em um eventual governo Odilon, mas deixa transparecer, em diversos momentos, que é peça relevante nos bastidores da campanha do juiz. A disputa no estado tem uma curiosidade. A cadeia, assim como na eleição nacional, é parte importante do jogo. O ex-governador André Pucinelli, tal qual Lula, tenta controlar os rumos da sucessão a partir da prisão, onde está há meses por suspeita de corrupção. Ele apoia Odilon. Do outro lado, o adversário Azambuja tem um filho que está preso também por corrupção.

“Eu vou voltar. Vou continuar mexendo com pecuária por enquanto e, se me for dada uma oportunidade de voltar para a política, vou voltar. Agora, não tenho pressa.” O ex-senador diz que está escrevendo um livro, cuja publicação é prevista para 2019. “Tem uma música do Rappa que diz ‘As palavras de um livro sem final’.” Neste momento, ele embarga a voz. Os olhos enchem d’água. “Eu estou escrevendo um livro. O meu livro não tem final ainda. Eu vou retomar as coisas todas que me roubaram.”

O exílio

A volta à política foi arquitetada no período em que ele esteve no exílio político em sua fazenda, a Santa Rosa dos Bugres, em Corumbá, sua cidade natal, na fronteira com a Bolívia. Não fala quantas cabeças de gado tem. Mas são muitas. Tudo em sociedade com a mãe, Rosely, de 85 anos, e seu único irmão, Ramon, que é vice-presidente de uma multinacional em São Paulo. A fazenda foi o terceiro lugar em que ficou exilado. O primeiro foi a casa de um amigo no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, para fazer, como ele chama, uma “zona de amortecimento” para a realidade pós-prisão. O amortecimento durou cinco dias. Depois, foi para São Paulo, onde convalesceu por três meses na casa de Ramon, no igualmente nobre Morumbi, após uma cirurgia no intestino. Havia suspeita de câncer e a intervenção era necessária. Até ali, Delcídio ainda não havia percebido sua queda política. Isso ocorreu mesmo quando foi para a fazenda. Ali se tocou que o horizonte era o ostracismo. “Caí na real porque você vê a solidão. Tenho um amigo que diz que político sem mandato nem vento bate nas costas. Poxa, eu tinha uma vida ampla. E de repente a casa está vazia. Poucos telefonemas. Aí você vê as pessoas que te queriam bem e quem estava contigo porque você era útil. Eu estava num Fórmula Um e bati a 350 quilômetros por hora num paredão. Botaram um paredão na minha frente.”

No campo, sua rotina era acordar de madrugada para trabalhar, uma tradição local devido às altas temperaturas do período da tarde, e “pastorear” o gado. Passava os dias úteis no Pantanal e nos finais de semana enfrentava os 428 quilômetros até Campo Grande para ficar com a mulher, Maika, empresária do ramo de moda. Conseguiu se desligar da política? “Não. Eu acompanhava. Mas não com aquela profundidade. Celular não pega direito lá. É a rádio, mas muito precária.”

Nesse período, leu livros sobre história mundial (Pity the Nation, sobre a história do Líbano; e as biografias de Stalin e Churchill) e brasileira (biografia de João Goulart e a série de Elio Gaspari sobre a ditadura militar). “Oscilei muitas vezes. E são oscilações que você vai lá em cima e depois desce lá embaixo”, diz, gesticulando um sobe e desce com as mãos, de novo com os olhos marejados.

A prisão

As variações emocionais começaram quando foi acordado de forma abrupta com pancadas na porta do seu flat à beira do lago Paranoá em Brasília na manhã do dia 25 de novembro de 2015. Delcídio parece não esquecer o barulho. Bate três vezes forte na mesa com os punhos fechados. O relógio marcava 6 horas. Ele não contou, mas eram muitos policiais. “Puta merda, tinha muita gente. Aí arrumei uns negocinhos e fui com eles. Não tinha nem noção do que era.” Lembrou no caminho para a Polícia Federal que na véspera alguém o alertara de que haveria alguma operação no dia seguinte. “Ali percebi que era comigo.”

A prisão foi decretada pelo então ministro relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, morto em janeiro de 2017 em um acidente aéreo. Teori entendeu que Delcídio tentou obstruir a Justiça após ouvir uma gravação em que o então senador dizia pretender que o ex-diretor da Petrobrás e delator Nestor Cerveró fugisse para a Espanha. A conversa também falava de uma mesada de 50 mil reais para que Cerveró não fizesse a delação e, depois, de uma operação com o STF para soltá-lo. Cerveró, em sua delação, havia acusado Delcídio de ter recebido propina.

Na prisão, o ritmo alucinante de um líder de governo precisou ser adaptado. “Bicho, nunca tive horário para tomar nem café da manhã. Eu não almoçava às vezes. Quando almoçava, era às 15 horas. Jantava às 23 horas. Tomava uns drinks para relaxar e antes de dormir lia todos os jornais do dia seguinte na internet, de madrugada. Isso é quase psicótico.” Sem citar em nenhum momento os termos “prisão” ou “cadeia”, continua: “Ali, não. Era uma disciplina gigantesca. Acordar cedo, fazer exercício, leituras, estudo do processo.”

Delcídio ficou preso em dois locais. Primeiro, por cerca de um mês, na Superintendência da Polícia Federal do Distrito Federal. Depois, em um quartel da Polícia Militar do Distrito Federal. Comida ruim? “Não. Você se acostuma. É a história do homem e suas circunstâncias.” Em ambos os locais, ele ocupou pequenas salas isoladas de cerca de dez metros quadrados sem contato algum com outros presos. Acabou fazendo amizade com os oficiais. “Conversava diariamente com eles. Conheci pessoas ótimas que estavam se preparando para a vida, estudando e se posicionando. Lembro que li a biografia de Napoleão Bonaparte e emprestei para um deles ler.”

Pensou que ficaria preso para sempre? “Você imagina tudo. Os pensamentos que perpassam são os mais variados, às vezes até os mais loucos. Um dia você está bem, outro você está mal. Aí você imagina o pior. Um dia você está mais confiante. Não é fácil. Você tem que ter disciplina para se preparar para a solidão e para a tua imaginação.”

As visitas eram às quintas-feiras. A mãe demorou semanas para ir vê-lo. “Ela ficou um tempo na fazenda até ir. Depois foi e ficou até eu sair.” Sua mulher, ao contrário, ia toda semana com as três filhas. A mais velha, médica pediatra, se casa na semana que vem. A do meio estuda jornalismo em Florianópolis. A mais nova faz medicina em Campinas. “Iam juntas me visitar. A minha família reagiu com dignidade e com uma altivez….” E começa a chorar. A voz falha. “Inacreditável… Era uma hora só. E você fica feliz, mas logo depois fica triste quando elas vão embora. Você imagina. Tua cabeça viaja. Negócio inacreditável.”

Um hábito que adquiriu na prisão foi a leitura diária da Bíblia. “Fiquei craque nisso. Trabalhei muito com a Bíblia nesse período ao ponto de conseguir hoje ler os Salmos de cor. De cor. De cor. E continuo lendo.” No período, um pastor evangélico conhecido de sua mulher prestou ajuda psicológica a ele dentro da prisão. “Lá eles aceitam visitas de religiosos. Advogados entram mais ou menos a qualquer hora, mas também quem vai levar a palavra de Deus.”

Quem o avisou que sairia no dia 19 de fevereiro foi um oficial. Vieram pensamentos estranhos. “Eu não queria sair. É um negócio maluco. Eu estava em dúvida se ia sair, se não ia sair, se aquilo era verdade. Me lembrou aquele complexo de Estocolmo quando o sequestrado se apaixona pelo sequestrador. Minha mulher falava para pegar minhas coisas. Eu falei: ‘Não pega que não quero sair daqui, não sei se vou sair daqui’.”

A delação

Apesar de o acordo de delação premiada ter sido assinado quando ele estava ainda na prisão, em fevereiro, Delcídio rejeita a ideia de que foi sua colaboração com os investigadores que permitiu sua liberdade. “Foi o conjunto da obra. Foram várias razões. Tanto que o acordo só foi homologado (pelo STF) depois.”

Antes de fechar a delação, consultou a família. Queria alertá-las das consequências que isso poderia ter, principalmente quanto à segurança. Passou então a elaborar os anexos, assim chamados os tópicos que seriam abordados na colaboração. “Preparei tudo ali dentro. Funciona assim: o advogado faz a ponte com o Ministério Público. Você prepara os anexos. A Procuradoria analisa e vê a pertinência.” Disse nunca ter sentado com o então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para tratar dela. As negociações foram com os seus principais auxiliares: os procuradores Eduardo Pelella, Marcelo Miller e Sergio Bruno. O acordo foi assinado em fevereiro. Delcídio diz que os investigadores nunca apontaram o que ele deveria delatar, mas percebia que eles precisavam dos elos políticos para amarrar a história toda da Lava Jato.

A delação de 254 páginas tinha seis principais pontos: as investidas de Dilma contra a Lava Jato; a ciência de Lula sobre todo o esquema da Petrobras; o pagamento de propina a Aécio como parte de um esquema com Furnas e a tentativa do tucano de maquiar dados da CPI dos Correios; a compra do silêncio, pelo governo Lula, do publicitário Marcos Valério no mensalão; os tentáculos do MDB do Senado (Edison Lobão, Eunício de Oliveira, Renan Calheiros, Romero Jucá, Valdir Raupp) nas estatais e a operação política de Aloizio Mercadante para que ele não delatasse.

Delcídio sofreu críticas posteriormente porque uma parte do que disse não foi confirmada nas investigações. Por exemplo, ele disse que Dilma o orientou a negociar com ministro do Superior Tribunal de Justiça Marcelo Navarro um alinhamento político para libertar réus da Lava Jato, como Marcelo Odebrecht. “Não conseguiram comprovar. Mas eu mesmo conversei com o Marcelo (Navarro) sobre esse tema. Eu era líder do governo.”

Também há críticas sobre episódios que não entraram na delação. Cláudio Melo, um dos delatores da Odebrecht, disse que o apelido de Delcídio na lista de beneficiários da empresa era “Ferrari” e que lhe foram repassados 500 mil reais como doação de campanha em 2012 após ele ter reclamado de “não ter recebido muita atenção” depois da aprovação de um projeto no Senado que redefinia alíquotas do ICMS. “Não citei porque as doações que recebi foram dentro da normalidade. Isso é um troço sem sentido. E quando veio a delação encaminhei ao Ministério Público os recibos eleitorais.”

O procurador do Distrito Federal Ivan Marx é um dos que apontam que Delcídio mentiu em sua delação, o que motivou um pedido para que fossem cortados os benefícios que ganhou. O político contesta. “Ivan Marx atuou nesse meu processo (judicial por obstrução de justiça). A decisão que me absolveu é peremptória e afasta qualquer acusação nesse sentido. O juiz me absolveu. É a melhor resposta que posso dar ao Ivan.”

Para o ex-senador, a colaboração foi determinante para a Lava Jato. “Ela é política. É uma leitura sistêmica do que acontecia no governo. Eu sabia muito bem como funcionava e quando não sabia pelos políticos eu sabia pelos empresários. Abriu um leque de investigações porque deu legitimidade àquilo que a Procuradoria investigava, mas faltava alguém para contar a história para que tudo se fechasse.” Diz que seu maior feito foi “ir nos grandes”. “Não fiquei restrito aos que já estavam na berlinda. Falei de Lula, Dilma, Aécio, Renan, Romero (Jucá), Lobão, Eunício. Todos que não voltaram nas eleições deste ano.” Gargalha. “Com exceção do Renan, mas esse está solito agora.”

Até hoje o ex-petista precisa se deslocar para cidades como Brasília, São Paulo, Rio e Curitiba para ajudar os investigadores nas apurações, principalmente para esclarecer pontos do que falou.

A cassação

Se a delação foi crucial para que ele deixasse a prisão, também foi determinante para que perdesse seu mandato no Senado por quebra de decoro parlamentar, em razão de uma tentativa de obstrução da Lava Jato revelada na mesma gravação que motivou seu encarceramento. A sessão ocorreu no dia 11 de maio de 2016 e durou uma hora. Não houve discussão. Foram 74 votos a favor e uma abstenção. Ninguém votou contra. Ele não foi. “O jogo já estava jogado”, disse. Para Delcídio, foi uma cassação política. “A interpretação foi de me entregar como boi de piranha para eles ficarem. E foi um erro imensurável porque ali abriram mesmo as portas para que todos fossem prejudicados. Tentaram criar uma situação em relação a mim para se salvarem e obrigar o governo a tomar uma atitude contra a Lava Jato. Mas teve um efeito reverso porque a cassação do líder do governo acabou dando força para quem vinha investigando. Fortaleceu a Lava Jato e eles foram mais para cima ainda.”

Ele também aponta que sua cassação foi uma condição imposta por Renan, à época presidente do Senado, para que ele tocasse o impeachment de Dilma, àquela altura já aprovado pela Câmara. “O Renan no Senado disse que eu tinha que ser cassado. Se não, não votava o impeachment da Dilma.”

O ex-senador relata ter sido procurado por deputados e senadores depois da libertação da prisão para que recuasse da delação. “Pessoas muito decentes do Senado, pessoas sérias, vieram até mim. Mandaram recado porque achavam que, quando eu falei de temas associados a alguns senadores (não diz quem, mas deixa entender que se trata de interlocutores de Aécio), eu estaria em tese cometendo grandes injustiças com homens públicos exemplares. Eu disse para esperar. E não deu outra.” Toda essa fase, segundo ele, era acompanhada de ameaças. “Era tudo velado. Recado direto de amigos comuns. Às vezes visitas de políticos, senadores e deputados. Uma conversa meio cinzenta, meio esquisita. ‘Olha, você avaliou bem o que você fez? As consequências?’ Eu entendia bem os recados mas tratava com singeleza.” Ocorriam também telefonemas anônimos de madrugada. “Ligavam 1 hora da manhã, 2 horas da manhã. Eu atendia. A pessoa falava ‘cuidado’. Aí eu tentava identificar, não conseguia porque era telefone público.”

O ex-senador chegou a encontrar alguns dos seus algozes tempos depois. Ele conta um episódio em que estava em São Paulo e encontrou um dos senadores do PSDB que o condenaram em um jantar na casa de amigos em comum. “Esse senador aparece. Vejo ele rodeando, rodeando. Não está tranquilo. Começou a beber. Tomou coragem e foi chegando perto de mim. Já estava ‘mamado’. Pediu para me abraçar e pediu desculpa. Me abraçava e falava ‘Me desculpa, me desculpa’. Falei: ‘bicho, não precisa chorar. Você tinha um papel naquela ocasião e lamentavelmente foi comigo que aconteceu’”.

Praticamente um ano depois de sua cassação, veio à tona a delação da JBS, com os áudios em que Aécio Neves e o empresário Joesley Batista conversam sobre temas nada republicanos – o tucano pedia 2 milhões de reais para pagar um advogado e dizia que era preciso indicar, para receber o dinheiro, alguém que pudesse ser morto depois para não delatar. O Senado não só arquivou uma representação contra o tucano por quebra de decoro como também decidiu não chancelar a decisão do STF de afastá-lo do mandato. “Aí o que acontece? Veio o caso do Aécio, que era muito mais complicado que o meu. Tinha dinheiro envolvido, o primo que dava para matar. E o raciocínio do Senado foi exatamente o contrário do que tiveram comigo. Se comigo era entregar o Delcídio como boi de piranha, com ele foi segurar para não ir todos juntos com o Aécio.” “Hoje no Senado há uma percepção clara do que fizeram comigo. Que erraram. Vários deles já me disseram isso”.

O impeachment

No dia 11 de maio de 2016 o Senado trabalhou. Aprovou a cassação do mandato de Delcídio do Amaral e iniciou a sessão, terminada na madrugada do dia seguinte, que autorizou a abertura do processo e impeachment de Dilma. O resultado acabou por afastar a petista temporariamente do cargo. Na manhã seguinte, Temer assumiu o governo. Para Delcídio, Dilma começou a cair a partir do momento em que o Congresso percebeu que ela não iria conter o avanço da operação. “Caiu por não ter controlado a Lava Jato. Não tenho dúvida nenhuma. Caiu por causa disso. Não caiu por causa de pedalada fiscal. Poxa, pedalada? Fui relator do Orçamento da União. Com todo respeito, o que que é isso? E aí sim esse foi um precedente perigoso porque daqui a pouco pode ‘impixar’ qualquer cara.”

O primeiro aviso a Dilma sobre as possíveis consequências da Lava Jato ao seu mandato foi quatro dias depois da reeleição da petista, em 2014. “Tive uma conversa com ela e o (ministro da Casa Civil, Aloizio) Mercadante no Planalto. Eu disse que ela ia ficar com espada de Dâmocles na cabeça até 2018. Ela assentiu. Mas o que ela tinha em mente? Ela pensava que deixaria as investigações caminharem porque daí o Congresso entraria pelo cano e ela tiraria da frente os caras do PT que queriam mandar nela. Teve uma leitura completamente equivocada. Levou uma briga intestina do PT para dentro do palácio. Mostra que não tinha leitura para ser presidente. O pensamento político era que aquilo: não atingia a eles, mas atingia o Lula, as lideranças do PT, o MDB. E o Congresso ia de joelhos até ela, que viraria um ícone da idoneidade, da ética, da honestidade. Só que, meu amigo, as mãos dela já estavam sujas.”

Delcídio diz que seu erro foi deixar Mercadante ouvir a conversa. “Eu saí e soube que o Mercadante disse que eu estava querendo defender meus amigos no PT, defender os companheiros na Petrobras, os empreiteiros. São as teses ‘mercadanteanas’ de eterna disputa interna dentro do PT. Aí comecei a ver que ela não tinha entendido o que eu tinha falado.” Mas o que Dilma poderia fazer? “Eu não conheço presidente que não movimente as coisas em uma situação de risco como essa. Não conheço. Não conheço. Pode fazer discurso político, o caramba. Mas nas sombras as coisas não funcionam dessa maneira. Lembra investigações (da Polícia Federal e do Ministério Público) como Castelo de Areia, Satiagraha? O que viraram?” Ele afirma que Dilma, depois, tentou reagir, como na operação com o ministro do STJ que ele delatou. Mas já era tarde.

Nem Lula conseguiu convencê-la do contrário. Àquela altura, já reeleita, a relação dela com o ex-presidente parecia cada vez mais distante. O chefe petista, preocupado com o rumo da operação, convocou uma reunião com Delcídio, Lobão e Renan na sede do Instituto Lula em São Paulo para ver o que era possível fazer. “Ele tinha muita preocupação com a Lava Jato. Sempre teve. Fretamos um avião para ir lá. Paguei 14 mil reais para ir lá numa sexta-feira falar com ele. A ideia era montar no Senado uma frente de oposição à Lava Jato porque ele não conseguia mais fazer com que o governo se mexesse nesse sentido. Ele não tinha mais nenhuma ascendência sobre o Planalto.” Era novembro de 2015. Foi a última vez que Delcídio viu Lula.

Temer veio, em sua avaliação, com essa missão principal de frear a Lava Jato. “Temer foi movimentando meio mundo para segurar a operação. Muda foro, muda os locais de investigação, começa a pulverizar. Aécio se salva neste movimento. E quando vieram as denúncias da JBS (em maio de 2017) isso enfraquece essa estratégia e põe tudo abaixo”.

Do mensalão ao petrolão

Delcídio era um senador de primeiro mandato em ascensão no Congresso quando o Planalto decidiu que ele deveria presidir a CPI dos Correios. Dentre outros pontos, o relatório final da comissão apontou a existência do mensalão e pediu o indiciamento de José Dirceu, o poderoso ministro da Casa Civil do primeiro governo Lula. Na véspera da votação do relatório, uma ampla reunião em uma sala no subsolo do Senado definiu o destino de Lula. “A proposta era inserir o Lula e um dos filhos como indiciados. A oposição queria, o relator (Osmar Serraglio) queria. Mas nós tiramos de madrugada. Foi uma discussão grande. Corríamos o risco de esse troço virar uma quizomba que não ia conseguir fechar o relatório. Ali seria o início do processo de impeachment do Lula.”

O impacto no governo foi direto. Para assegurar a governabilidade e evitar o impeachment de Lula, o governo radicalizou na abertura das estruturas administrativas aos aliados, em especial ao MDB. “O mensalão foi a semente de tudo aquilo que veio posteriormente. Em vez de gerar nova atitude, o governo se abriu mais, verticalizou as estruturas e ali nós fomos para o espaço. Quer dizer, no afã de você garantir a governabilidade, porque na governabilidade cabe tudo, tiveram que abrir para evitar o impeachment do Lula.”

Até então, segundo ele, a Petrobras não havia sido muito afetada por casos de corrupção. “Depois disso, mudou. E com advento do pré-sal, aí o trem desandou porque era muito sonda, muita plataforma. Era um mundo. Dali em diante as coisas começaram a desandar porque havia a necessidade da governabilidade em um momento em que tinha investimentos maciços. Não só a Petrobras, mas outras estatais também.”

No início, diz, isso não foi arquitetado, mas após o governo perceber o volume dos negócios e os resultados políticos que poderiam ser alcançados, o processo ficou mais racional. “Atiraram no que viram e acertaram no que não viram. O que encheu os olhos é quando viram o tamanho do que podia acontecer. Aí começou a concatenação de propósitos e objetivos.”

A ideia central foi verticalizar as indicações nas estatais, em especial na Petrobras. Na prática, uma ocupação política de cima para baixo nas diretorias. “A Petrobras sempre teve ocupação política, só que as estruturas embaixo eram mais técnicas. Depois do mensalão, verticalizou tudo.” Dilma assumiu em 2011. No ano seguinte, tirou José Sergio Gabrielli (hoje um dos coordenadores da campanha de Haddad) da estatal e nomeou Graça Foster para tentar corrigir problemas na empresa. “Ela foi colocada para ser uma espécie de xerife, mas estava tudo muito degradado internamente. As coisas saíram completamente do controle. Era muito player, muita gente, e isso não funciona.”

O burburinho do petrolão já corria por Brasília. Delcídio tinha influência na Petrobras por sua ligação com o setor energético. Engenheiro eletricista por formação, trabalhou em diversas empresas públicas e privadas. No início do governo Lula, participou da indicação, junto com a bancada do PT do Mato Grosso do Sul, de Nestor Cerveró para a diretoria internacional da estatal. Segundo ele, depois do mensalão essa área foi para o MDB. Ele nega ter sido beneficiado por algum esquema na empresa. “É claro que quem escolhe ou indica um diretor passa a ter trânsito em várias áreas, passa a ser procurado por empresários que querem viabilizar seus negócios. Isso sempre funcionou assim e não será diferente.”

Para o ex-senador, se o partido tivesse reconhecido os crimes ainda no mensalão, o destino do país poderia ter sido outro. “Se o governo do PT tivesse feito um mea culpa lá atrás, na CPI dos Correios, seríamos outro país hoje, com outro projeto. Mas o problema é que o PT se nega a fazer mea culpa dos erros que cometeu. Só os outros que erraram. Nunca o PT errou em nada. Só os outros que estavam errados sempre.” Isso, afirma, se deve ao fato de o projeto de poder petista ter predominado sobre o de Estado. “Lamentavelmente enveredamos para um projeto de poder. Aí você não sustenta. Não segura por muito tempo.” Percebe-se.

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  1. Por tudo que aconteceu, eu gostaria que ele nunca voltasse a politica. A Dilma realmente não tinha cacife para ser presidente, mas o ex-senador se perdeu nisso tudo, se tiver chance vai fazer tudo de novo.

  2. É impressão minha ou este sujeito não aprendeu nada com o tempo que passou encarcerado lendo a Bíblia??!! Ele fala que foi boi de piranha, coloca-se como uma vítima, chora ao falar da família; todavia não detectei nenhum sinal de redenção, arrependimento ou remorso. Ele responsabiliza seus pares, tão corruptos e criminosos como ele, por ter sido punido e diz que se a Dilma ou outros tivessem agido de outra maneira ele não teria passado por isso e o País estaria diferente. Petista é tudo igual.

  3. Excelente mátéria e, é claro, sua excelência deve à independência de uem a escreveu e de quem a publicou. Sou cada vez mais fã (além de assinante) da CRUSOÉ, uma revista que impõe respeito e passa credibilidade.

  4. Excelente matéria. A luz da publicidade dos bastidores criminais do alto escalão do poder, gerada em confissão com grande medida de sinceridade e acuidade, é o melhor fungicida a cargo da sociedade civil organizada! Obrigado à Crusoé.

  5. Delcídio Amaral tem muito mais para confessar. Na entrevista fica claro, principalmente na CPI dos Correios e no Mensalão. Ele devia aproveitar para dar nome aos bois (pecuarista que é!!!) e confessar o silêncio de seu comprometimento na decisão da CPI e do mensalão.

  6. É doloroso a verdade mas ela sempre tem que prevalecer. Delcídio pagou o preço mais com a cabeça erguida, poucos são os políticos que tem essa coragem. Longe de mim defendê-lo porque em minha opinião jamais deveria voltar ao poder, mas ver o Aécio Neves solto e como deputado federal é uma injustiça tremenda. Ainda vou vê-lo preso, porque os padrões comportamentais se repetem se não houver o arrependimento explícito.

    1. Este é o tal que a mamãe teve de defendê-lo como de família. Bandido como os outros ou pior. Deve ter sido educado da mesma forma que o Geddel, todos se locupletam em família. Bandido e cara de pau. Usurpou nossa pátria e está solto. Bandido. Isto não dá mais prá aguentar. Não conseguí ler tudo.

  7. Continuando ...que foi o responsável pelo IMPTCHAMAN de Dilma ,hoje é tratado assim . Nesta reportagem não foi perguntado ao "coitado" covarde do Delcídio, o que ele acha da PGR ter arquivado a delação dele sobre Aécio (aliás feita na época do janot) ,por total falta de provas . Porque não fizeram está pergunta a este sujeito mentiroso diante de um fato concreto ?

  8. Sempre tive e continuo tendo convicção de que Janot e Joesley armaram para Aécio Neves (e com aval do PT,que não perdoa)com o unico intuito d "queima-lo" para não se candidatar as eleições de 2018 á presidência pois obviamente ganharia . Hoje é xingado de" golpista"em qualquerlugar público que o PT sabe que ele estará ((É persegui do pelo PT )os jornais noticiam estes eventos como notícia de mais um corrupto?sendorecebi do pela população.a imprensa esqueceu de Aécio, aquele "golpista da oposição

  9. Mais uma vez fica claro que a esquerda só entende a política como uma etapa para chegar ao poder. Uma vez no topo, vale tudo, da corrupção à violência, para manter a posição. Asco!

  10. muito boa a reportagem..Parabéns!!! Uma vez Petralha...sempre Petralha....não entendo como este personagem ainda tem Direito Político ......Muda Brasil!!

  11. se eu fosse ele tentaria ser um pecuarista Premium, um dos líderes do segmento. Tem curso superior mente aberta é jovem. Se eu tivesse a sorte de ser pecuarista ajudando o Brasil a trazer msis é mais

    1. Pois é. Nem o Delcídio vota. Aliás, como todo ex-petista. Quem conhece, quer esquecer.

  12. excelente entrevista, mostra o quanto a mente desse homem continua corrupta e cheia de idéias do antigo modo de fazer política, espero que ele jamais volte ao senado e a nenhum cargo político, não precisamos mais desse tipo de gente no poder.

  13. A língua inglesa é brilhante.. um réu não é declarado inocente.. o réu é declarado "not guilty".. se o Delcídio é inocente eu sou a encarnação de Buda..

  14. A diferença entre ele e o cangaçeiro é uma só, um ainda tem poder e ele não. Quanto ao resto, sempre as imagens emocionantes das lágrimas, da família e da Bíblia. Que cara de pau!!

    1. Verdade. O Bolsonaro vai ter trabalho enfiando a mão nesse esgoto pra limpar o máximo que conseguir. Que Deus abençõe!

  15. Por essas e outras sem pena de morte essa merda jamais será um país. Estamos cercados de bandidos, nem comunistas são. São bandidos mesmo. Se o Bolsonaro não se render à esses vermes, em 50 anos poderemos ter uma nação. Ou não.

    1. Sendo otimista, talvez 20 anos sejam suficientes. Tem que ter o lastro intelectual e moral da nação, até lá, para sustentar a mudança.

  16. Como é difícil julgar este período. Eu quase fiquei admirando o Delcídio. Só quando terminei a leitura é que notei que o cara é um calhorda tentando passar por Santo. Lembrei do Lula!

  17. Excelente reportagem. Fica mais claro o papel do nobre ex-senador quando fazia a articulacao politica entre os corruptos chefoes do PT e o 'resto'. Entretanto, faltou perguntar ao ex-senador quando ELE faria a sua mea culpa já que, em nenhum momento, ele assumiu os seus mal-feitos. Parece que tudo foi culpa dos outros. E quando gargalha dos comparsas nao reeleitos , gargalha ele de si próprio? Ainda bem que perdeu e assim deve ficar, pois , aparentemente, nada mudou na cabeca do rico pecuarista.

    1. perfeita a sua colocação. Ele aponta quem errou e onde erraram,mas n faz uma mês culpa,não assume sua parcela grande nesse episódio. Talvez pra n se.complicar lá na frente nos processos em andamento

  18. Delcídio é um cretino e não nega o DNA petista. Romancea a roubalheira, trata corrupção igual trata sua família e ainda fica chorando. Viu tudo e não fez nada. Ajudou, E MUITO, a afundar esse país. Um paspalho desses, que diz serem as pedaladas fiscais algo insignificante, é mesmo um lulopetista fedorento. Ô safado...as pedaladas são proibidas pela Constituição Federal. Insignificante é você, comparsa do Lula.

    1. Concordo, nem menciona o programa de poder e conluio com os governos socialistas e ditaduras narcoesquerdistas do Foro de São Paulo. Tinha é que estar preso para não lermos essas bobagens !

  19. se ele far se candidatar e deixar um petista tomando administrando esses gados dele quando ele voltar so vai encontrar meia dúzias de galinha na fazenda inteira e nada a mais...kkk . Cuide vc mesmo da sua fazenda... volta pra politica ñ

  20. Náo dá pra ler nem 1/3 disso, mas gostei da foto, a vontade em seu potro, no meio de muito gado e como náo, cheirando a estrume e aspirando metano a vontade.

  21. Demonstrar qualquer tipo de simpatia pelo "drama pessoal-familiar" pode confundir a real face do quê DA é: um petista! Não existe petista arrependido. E o quê mais precisamos para tocar o País para frente é mandar os petistas, principalmente os pseudo-arrependidos, ao esquecimento.

  22. Aaaaaaaaaaa, a soberba nas entrelinhas. Ninguém precisa eleger-se para qualquer cargo para provar inocência. Nunca vi! Não perdem o vício. A Bíblia, o segundo refúgio do canalha, depois da bandeira. Petrolão já existia junto com o mensalão, como sabemos hoje, estava apenas disfarçado pelo escândalo de ocasião. Sugiro que retorne ao ostracismo e deixe o País em paz, livre de seu passado. Nasceu petista e vai morrer petista, a despeito do que fale ou escreva. Acerte-se com a justiça.

  23. Nesse angu tem muito caroço e a narrativa do ex só perambulou na superfície. O cara sonha em voltar ao firmamento político. Agardemos...

    1. O povão não fica sabendo. E os funcionários públicos, os artistas e os "intelectuais" não querem perder suas benesses ou querem não admitir que se iludiram.

    2. Pois é, depois de toda essa safadeza ainda tem cento e tantas mil pessoas que votam no camarada...???? Não dá para entender mesmo!!! Tinha que ter seus direitos políticos cassados

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