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    Gilmar, Incitatus, a toga e o silêncio

    Quando o cavalo foi nomeado cônsul por Calígula, o Senado se calou. Quando o juiz moderno decide que apenas uma mão pode tocar nos intocáveis, o povo se cala

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    Dennys Xavier
    3 minutos de leitura 03.12.2025 11:56 comentários 8
    Gilmar e Incitatus. Inteligência artificial Gemini
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    Conta-se, como uma lenda que persiste porque carrega mais verdade que ficção, que o imperador romano Calígula nomeou seu cavalo cônsul.

    Não era um ato de humor, tampouco de loucura aleatória. Era gesto de poder. Era o triunfo da vontade imperial sobre a razão pública.

    Ao colocar Incitatus, seu cavalo, entre os homens mais ilustres de Roma, Calígula não desprezava apenas o Senado: desafiava o próprio conceito de responsabilidade.

    Um cavalo, afinal, não vota, não discute, não critica. E era precisamente disso que o imperador precisava: silêncio submisso sob o disfarce da legalidade.

    Séculos depois, sem cascos nem relinchos, a cena se repete: não no mármore do Fórum, mas sob as colunas modernas de outro templo, o do poder supremo.

    Um homem togado, com voz rouca e pena rápida, determina, sozinho, que somente uma figura específica pode pedir o julgamento daqueles que vestem a mesma toga que ele.

    “Sim, eu determino que somente fulano pode me julgar, segundo os critérios que eu mesmo dito.” Pobre Brasil, essa Zumbilândia.

    Não se nomeia um cavalo. Mas se consagra o silêncio. E se transforma o contraditório em ameaça.

    Na democracia, dizem os homens prudentes, é necessário que o poder seja vigiado, não por desconfiança pessoal, mas por reconhecimento da natureza humana, sempre inclinada à expansão de seus próprios limites.

    Roma o soube tarde demais. E o mundo grego, que amava a palavra livre, jamais cessou de advertir: quando a cidade se curva ao oráculo de um só, a justiça se converte em oráculo, não em lei.

    Sócrates, em sua defesa perante os juízes de Atenas, não rogou por piedade. Pediu apenas que a cidade continuasse amando o exame, o logos, e não as sombras da autoridade. Foi, contudo, condenado.

    Seu erro? Ter exigido que os detentores do poder justificassem suas verdades. Ter sugerido que a justiça não nasce da posição, mas da razão.

    O que se vê, então, no gesto moderno de limitar quem pode questionar os deuses togados, é a mesma inquietante tentação do império: preservar-se não pela virtude, mas pela blindagem. Os sacerdotes da justiça passam a escrever seus próprios cânticos e proíbem outros de interpretá-los.

    A tragédia não é nova. O brasileiro médio é trouxa por natureza...

    Édipo, quando cegou a si mesmo, não o fez por ter visto demais, mas por não ter querido ver antes. A polis, quando se entrega ao encantamento do poder absoluto, prefere a cegueira voluntária à luz perturbadora da crítica. E aquele que ousa perguntar (como perguntava Antígona, como indagava Diógenes) torna-se ameaça à ordem estabelecida.

    Mas que ordem é essa que não suporta ser interrogada?

    A verdadeira ordem política não teme a palavra, pois sabe que sua força reside na aletheia, na desocultação. A falsa ordem, ao contrário, refugia-se na autoridade inquestionável e transforma a lei em escudo; não da justiça, mas de si mesma.

    Assim, quando o cavalo foi nomeado cônsul, o Senado se calou. Quando o juiz moderno decide que apenas uma mão pode tocar nos intocáveis, o povo se cala. E o silêncio, mais uma vez, não é paz, é aviso.

    Estamos avisados...

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    Dennys Xavier

    Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

    Comentários (8)

    Luiz Filho

    2025-12-07 14:21:16

    Vale lembrar que Calígula cometeu todos os desatinos enquanto pode por pouco tempo. Teve um final merecido quando as forças contrárias se uniram. O que não nos faltam são Calígulas com inteligência de incitatus


    Denise Pereira da Silva

    2025-12-04 10:31:38

    Ops, continuando: …desse monstro sem limites, que continua espalhando seus tentáculos pelo STF. Algo precisa deter tal autoritarismo e ânsia desenfreada pelo poder absoluto. Estamos agora mais do que avisados.


    Denise Pereira da Silva

    2025-12-04 10:25:07

    Concordo, Dennys Xavier, seu artigo traduz claramente as intenções dos supremos intocáveis autoproclamados iluminadores da nação. Estamos recebendo avisos e mais avisos desse monstro sem li


    FRANCISCO JUNIOR

    2025-12-03 22:34:40

    Muito bem escrito o texto, parabéns.


    Edmar Alves

    2025-12-03 18:08:07

    Foi um tiro no pé, com certeza. As consequências virão...


    Eliane ☆

    2025-12-03 14:54:55

    O poder sem moral converte-se em tirania.


    Marcelo Tolaine Paffetti

    2025-12-03 14:49:36

    Esse senhor manda e desmanda em Brasília há mais de vinte anos, deixaram-no crescer, e virou o monstro que é. Toffoli, Xandão são apenas crias suas.


    MARCOS

    2025-12-03 12:32:45

    O SENADO SE CALA POIS SE FALAR O stf MANDA PRENDER.


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    Comentários (8)

    Luiz Filho

    2025-12-07 14:21:16

    Vale lembrar que Calígula cometeu todos os desatinos enquanto pode por pouco tempo. Teve um final merecido quando as forças contrárias se uniram. O que não nos faltam são Calígulas com inteligência de incitatus


    Denise Pereira da Silva

    2025-12-04 10:31:38

    Ops, continuando: …desse monstro sem limites, que continua espalhando seus tentáculos pelo STF. Algo precisa deter tal autoritarismo e ânsia desenfreada pelo poder absoluto. Estamos agora mais do que avisados.


    Denise Pereira da Silva

    2025-12-04 10:25:07

    Concordo, Dennys Xavier, seu artigo traduz claramente as intenções dos supremos intocáveis autoproclamados iluminadores da nação. Estamos recebendo avisos e mais avisos desse monstro sem li


    FRANCISCO JUNIOR

    2025-12-03 22:34:40

    Muito bem escrito o texto, parabéns.


    Edmar Alves

    2025-12-03 18:08:07

    Foi um tiro no pé, com certeza. As consequências virão...


    Eliane ☆

    2025-12-03 14:54:55

    O poder sem moral converte-se em tirania.


    Marcelo Tolaine Paffetti

    2025-12-03 14:49:36

    Esse senhor manda e desmanda em Brasília há mais de vinte anos, deixaram-no crescer, e virou o monstro que é. Toffoli, Xandão são apenas crias suas.


    MARCOS

    2025-12-03 12:32:45

    O SENADO SE CALA POIS SE FALAR O stf MANDA PRENDER.



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